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Departamento de Antropología

S4. Os embates da memória - experiências etnograficas, direitos coletivos e ações de patrimônio

Día Horario Sala Sede Dirección
Lunes 5 13:00-18:40 UR 6 Universidad ARCIS Libertad 53 (ver mapa)
Martes 6 09:00-18:40 UR 6 Universidad ARCIS Libertad 53 (ver mapa)

 

Dia 05 das 13h-18h40
Sessão -  Políticas públicas: inventários, patrimonialização e educação
NOME COMUNICAÇÃO
Adriana Russi e Gilmar Rocha Artesanato tradicional em Oriximiná (PA/Brasil): aspectos de um inventário para a educação patrimonial
Julie Cavignac A volta da história: terra, memória e educação patrimonial na Boa Vista dos Negros
Wallace de Deus Barbosa O reconhecimento da Capoeira como patrimônio imaterial do Brasil e a herança africana: reflexões sobre o processo do “Inventário da capoeira” (DPI-IPHAN) e sua recepção pelos atores e agentes do mundo da Capoeira
Pedro Paulo de Miranda A. Soares Saberes e fazeres – técnicas de aprendizado e habilidades do ofício de barbeiro em Porto Alegre
Renata de Sá Gonçalves Circuitos e estratégias do lugar social da dança de mestre-sala e porta-bandeira das escolas de samba do Rio de Janeiro
Edgar Monteiro Chagas Jr. e Carmen Izabel Rodrigues Fronteiras do imaterial: perspectivas dos inventários culturais a partir de uma manifestação cultural amazônica
Mayã Martins Um porto de memórias: destruição, preservação e futurismo na Região Portuária do Rio de Janeiro
Canuto Diógenes Saldanha Neto Patrimônio para todos: a política de educação patrimonial e os embates das memórias no processo de construção dos sujeitos sociais
Julia Morim e Dan Gayoso Sobre saberes, práticas e políticas: o inventário dos saberes e práticas das parteiras tradicionais de Pernambuco
Dia 06 das 9h-12h
Sessão: - Quilombolas: memória, identidade, territorialidade
NOME COMUNICAÇÃO
Beatriz Accioly Vaz Memórias territoriais: reflexões sobre patrimônio cultural e direitos coletivos
Janaina de Figueiredo Entre portos e ritos: a memória do candomblé no Brasil
Daniela Yabeta História, memória e identidade: notas sobre entrevista feita com Seu Naná, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo da Ilha da Marambaia/Rio de Janeiro
Maria Celia Barros Virgolino Pinto Singularidades identitárias da comunidade quilombola de Jurussaca – memória, etnicidade e performances
Maria Helena Sant´Ana Direitos coletivos quilombolas e a disputa dos sentidos da memória
Dia 06 – das 13h-18h40
Sessão – Direitos coletivos: memória, identidades, territorialidade, educação
NOME COMUNICAÇÃO
Fernando Rodelo Mendoza e Rafael Enrique Borbolla Ibarra Voces y memória, la educación en el recuerdo Sinaloense durante La posrevolución, 1940-1950
Maritza Gómez Muñoz La cosmovisión en el imaginário de la infancia maya-tzeltal
Andrea Jimena Villagran Processos de patrimonialización y reconfiguraciones sociales. El caso de Valle Calchaqui, norte de Argentina
Martin Correa Cabrera El território mapuche y la “memória de la tierra”
Luciana Gonçalves de Carvalho Memórias de balateiros de Monte Alegre, PA
Karen Fahrenkrog Borghero e Matías Calderón Seguel Reflexiones en torno a las memorias y lo político: reconstrucción de la reforma agrária chilena em El Valle de Longotoma
Adolfo de Oliveira Primeiras reflexões mais ou menos Benjaminianas sobre história, memória, indianidade e ambientalismo no  médio Solimões (Brasil)
Crispina Rosario Gonzalez Memoria colectiva y patrimônio – estratégias de acción para la recuperación de la ciudad Sagrada de Quilmes – Argentina
Leticia de Luna Freire “A gente chegou aqui antes da universidade”. História e memória de um assentamento urbano no campus universitário da Ilha do Fundão (Rio de Janeiro)

 

Coordinadores:
Mg. Adriana Russi, adri.russitm@gmail.com, Universidade Federal Fluminense

Dra. Julie A. Cavignac, juliecavignac@gmail.com, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Objetivo

Debater experiências concretas realizadas por pesquisadores latino-americanos de diversos horizontes teóricos e empíricos ; analisar os elos existentes entre pesquisa antropológica de caráter etnográfico, reivindicações de direitos coletivos, patrimônio cultural e ações educativas formais e não formais.

Palabras claves: etnografia, educação, patrimônio, museus, ONG's.

Resumen
A compreensão dos problemas e das experiências vividas atualmente por grupos étnicos e populações segregadas a partir dos efeitos da globalização da economia tem garantido aos antropólogos um cenário rico e variado de campos e objetos de estudos. A América latina não foge a essa condição, sendo muitos desafios colocados à antropologia. Desde os anos 1980, uma série de transformações tem ocorrido no interior da disciplina e no mundo de objetos à sua volta. Cabe destacar, nesse processo, a contribuição da etnografia em compreender os inúmeros problemas colocados para os estudiosos por temas dos direitos coletivos, do patrimônio e da educação. Esses temas são, hoje em todo o continente, os temas mais importantes na pauta das políticas públicas dos diferentes países. Sabe-se que dentre inúmeras etnografias voltadas para o patrimônio cultural, material ou imaterial, que se tem produzido contemporaneamente, muitas têm servido como importante ferramenta para ações educativas com vistas à sua preservação. Por sua vez, essas ações são reinterpretadas, resignificadas e manipuladas pelos grupos detentores dos traços culturais em questão que vê nelas uma possibilidade de fortalecimento. Asssim, populações investigadas tradicionalmente por antropólogos deixaram de figurar como público alvo destas ações e passaram a assumir o papel de sujeitos nestes processos. Inúmeras políticas públicas de educação desenvolvidas no contexto latinoamericano e as convenções de organismos supranacionais para a cultura apontam o patrimônio e a educação como importantes instrumentos na consecução de ações de educação patrimonial e de preservação do patrimônio cultural. Neste simpósio, queremos refletir sobre os processos de patrimonialização da cultura tendo por referência ações educativas apreendidas etnograficamente durante o trabalho de campo. Serão apresentados exemplos concretos de pesquisa no Brasil, na Argentina, no Chile e em México, estudos desenvolvidos por pesquisadores latino-americanos de diversos horizontes teóricos e empíricos. Queremos aqui analisar os elos existentes entre ˜projetos culturais˜ elaborados por grupos étnicos, a reivindicação de direitos coletivos, os conflitos de interesses, as ações de patrimônio cultural e educativas, sejam elas formais ou não formais: instituições museológicas, educação patrimonial, produtos e eventos culturais promovidos por movimentos sociais, etc. O debate deve levar a desenhar um mapa crítico dos processos em curso e a promover uma ampla reflexão sobre práticas etnográficas e historiográficas, direitos, patrimônio e educação.

1. Procesos de patrimonialización y reconfiguraciones sociales. El caso del Valle Calchaquí, norte de Argentina

Dra. Andrea Jimena Villagrán, ajvillagran@gmail.com, Universidad de Buenos Aires

A los fines de aportar a la reflexión crítica de los procesos de patrimonialización en América Latina y las problemáticas sociales emergentes de éstos en contextos particulares, proponemos el estudio etnográfico de un caso, circunscripto a la Región de los Valles Calchaquíes, provincia de Salta, Norte de Argentina. La principal actividad económica de esta región es la producción de vid destinada a la elaboración de vinos, cuyo origen remite a los tiempos de la colonia española, aunque adquirió notable impulso en el siglo XX a la vez que se integraba a las ofertas turísticas nacionales como un importante destino. Recientemente y en el marco de programas de financiamiento internacional del Banco Interamericano de Desarrollo, se implementaron proyectos de creación de "atractivos", como el Museo del vino y de la vid, lográndose así la valorización, promoción e inserción en un circuito y mercado de proyección internacional. Indagamos en ese sentido los criterios de valoración que allí se ponen en juego, para la selección y definición de las "potencialidades" y "riquezas", que fundamentan la postulación ante la Unesco, para que Los Valles sean reconocidos como patrimonio de la humanidad. Se tematiza este proceso desde el establecimiento de relaciones entre las transformaciones sociales, económicas y políticas que reconfiguran el escenario local y la resignificación de categorías como "identidad", "cultura", "tradición", "patrimonio" y "pasado" por parte de distintos actores, agentes y grupos en condiciones diferenciales de poder. La reconversión capitalista y el fenómeno de mundialización que contextualizan la patrimonialización, observable en la extranjerización y transnacionalización de la propiedad de fincas de producción de vid y bodegas, conlleva la redefinición de la lógica que regula las relaciones de poder imperantes en la región, que hasta los años '90 presentaban rasgos del sistema de dominación colonial, bajo gobierno de las élites terratenientes locales. Se focaliza en las tensiones, conflictos y enfrentamientos que allí emergen, entre grupos y sectores sociales, a través del tratamiento de situaciones críticas como desalojos y relocalizaciones de indígenas y campesinos.

2. Artesanato tradicional em Oriximiná: aspectos de um inventário para a educação patrimonial

Mg. Adriana Russi, adri.russitm@gmail.com, Universidade Federal Fluminense

Dr. Gilmar Rocha, gr@iduff.br, Universidade Federal Fluminense

Neste trabalho tratamos de pesquisa sobre saberes e objetos confeccionados artesanalmente cujo aprendizado se deu ao longo das gerações entre moradores de Oriximiná/PA, denominados artesanato tradicional. O inventário realizado com 125 artesãos de 31 comunidades - ribeirinhos, quilombolas, indígenas e moradores rurais de terra firme - se deu através de pesquisa etnográfica. Identificamos 64 tipos de artefatos, desenvolvidos a partir de diferentes tecnologias: trançado, utensílios de madeira, cerâmica, adornos, tecido. O que observamos em muitos lugares em geral, e em Oriximiná, em particular, é que vários objetos artesanais cederam espaço a outras formas de produção. Apesar da substituição por objetos industrializados, os grupos em foco continuam a produzir muitos objetos de forma artesanal para uso diário e para fins comerciais. Estes objetos revestem-se de um valor específico, para as comunidades visitadas e seus artesãos, enquanto "materiais de memória" e "referência cultural", o que poderá ser desvelado em pesquisas futuras. O inventário, nesse sentido, é um ponto de partida necessário e um instrumento que produz informações e que possibilita, entre outras coisas, novas pesquisas e ações constitutivas das políticas como aquelas voltadas à preservação do patrimônio cultural, bem como reflexões sobre o significado de algumas categorias de classificação como cultura, tradição, artesanato, educação. A ação que temos empreendido de formação continuada com educadores da rede pública de Oriximiná tem como base o inventário do artesanato tradicional realizado a partir da experiência etnográfica naquela localidade da região amazônica.

3. Voces y memoria. La educación en el recuerdo Sinaloense durante la posrevolución, 1940-1950

Dr. Fernando Rodelo Mendoza, romf60@hotmail.com, Secretaria de Educacion Publica del Estado de Sinaloa

Mg. Rafael Enrique Borbolla Ibarra, borbollarafa@hotmail.com, Escuela Normal de Sinaloa

La búsqueda de pasajes por medio de la narrativa durante el periodo posrevolucionario en Sinaloa, enfocado al apasionante mundo de la enseñanza, es un manjar de conocimiento. Linaje epistemológico, da como resultado la cotidianidad del tiempo y espacio de la localidad tradicional sinaloense. Voces que dan luz a la singularidad de la vida dentro de las escuelas educativas. Ahora, el rol de la oralidad muestra aquellos símbolos que tiene la virtud de ayudar a comprender por medio de la memoria la sociabilidad de funcionarios políticos, educativos y de la cultura en general. La educación desde lo marginal y popular, construye por medio de la cotidianidad nuevos mecanismos para valorar la problemática del periodo posrevolucionario. Es una fuente poco explorada por los investigadores de la localidad, y esta, libera de tradicionalismos teóricos y metodológicos en la historia de la educación; la problemática será encontrar matices y objetos que nos aproximen a la funcionalidad sociocultural. Primeramente hacer mención de la autoridad del docente en el aula y su postura recia. Era humillante para el maestro (a) recibir correcciones por algún alumno, si pasaba tal suceso, habría que recurrir al autoritarismo educativo como censura. Ahora, la visión en los programas educativos, era la de mantener una sociedad con formas tradicionales. Las materias que se impartían llevaban el claro mensaje de integrar a las niñas con un futuro como esposas y madres de familia, con ello, no buscar más allá en los estudios que lo básico para poder sobrevivir. Por ello la importancia de afrontar nuevos mecanismos teóricos metodológicos para la reconstrucción de la historia de la educación por medio de la "voz y la memoria".

4. A volta da história: terra, memória e educação patrimonial na Boa Vista dos Negros

Dra. Julie A. Cavignac, juliecavignac@gmail.com, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

A reconstituição da trajetória histórica de um grupo quilombola do sertão nordestino tomou importância quando da elaboração de um relatório antropológico para fins de titulação do território pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2007. Até hoje, o passado e o território aparecem centrais na reelaboração das marcas identitárias dos « Negros da Boa Vista » com a entrada do grupo no campo politico, provocando mudanças nas formas de organização social e o surgimento de novas lideranças. Da mesma forma, durante o processo de regularização fundiária, os interessados tiveram que se rememorar eventos fundadores - com discretas referências à escravidão -, lembrar conflitos com os vizinhos brancos e contar a vida dos seus ancestrais, num processo sempre doloroso pois esses detalhes foram intencionalmente apagados ao longo das gerações. Lembranças pouco valorizadas para os mais velhos ou descoberta repentina para os mais jovens, a história voltou com força : além do processo de « retomada das terras », há um interesse em se reapropriar os marcos temporais e reelaborar uma história da qual os « negros » foram excluídos e, ao mesmo tempo, são desenvolvidas atividades culturais voltadas para a preservação do patrimônio, trazendo bruscamente o passado para o presente. Nesse sentido, foi elaborado um projeto de educação patrimonial por professores da UFRN que iniciou em 2012 (PROEXT-MEC) que se integrou à atividades do Ponto de Cultura existente; nele, pretende se registrar e discutir conjuntamente com os interessados os dados históricos, arqueológicos e culturais a serem coletados para elaborar produtos (museu comunitário, cartilhas, exposições itinerantes, cursos, registros orais, sonoros e visuais) e formar agentes locais.

5. El territorio mapuche y la "Memoria de la Tierra"

Mg. Martín Correa Cabrera, martinkorrea@gmail.com 

No hay familia mapuche en la que no se habla de la "línea antigua", de las "tierras del cacique antiguo", las tierras que se poseían antes de la ocupación militar de la Araucanía y del proceso de reducción territorial. Lo anterior se relata de generación en generación, y adquiere actualidad en los hechos, cuando las familias mapuche deciden encarar la historia y recuperar los espacios territoriales que les fueron despojados. Es aquí donde ocupa un lugar primordial la memoria comunitaria, la memoria colectiva, la tradición oral, poniendo en concordancia los recuerdos de unos y otros, fijando puntos de referencia, hitos geográficos y temporales. En dicho ejercicio comunitario asistimos a una acción de resistencia a los procesos de dominación, a la supremacía del documento escrito, y a través de la tradición oral, del relato, se recrea y se apropia de un pasado común, se construye identidad comunitaria y se forman las bases para la toma de conciencia del presente y para la proyección futura. En este contexto entendemos la "memoria de la tierra", construida y elaborada por el saber y el conocer compartido, la elaboración del mapa mental comunitario, el ejercicio de reconstruir los espacios territoriales antiguos y los hitos del despojo. La vinculación territorio/identidad, historia/memoria, cohesionan a la comunidad, forman parte de su patrimonio, le dan sentido de pertenencia a sus miembros y forman parte esencial de sus demandas territoriales y políticas. En este ejercicio de reconstrucción de la "Memoria de la Tierra", del contraponer legitimidad con legalidad, relato con documento escrito, los historiadores, los antropólogos, contamos con herramientas metodológicas, de sistematización y de interpretación de gran valor para las comunidades y organizaciones mapuche, en un trabajo compartido y cómplice, no obstante contundente y riguroso, transformándola en herramienta política.

6. Reflexiones en torno a las memorias y lo político: reconstrucción de la reforma agraria chilena en el valle de Longotoma

Lic. Matías Calderón Seguel, mcalderonseguel@gmail.com, Universidad Academia de Humanismo Cristiano 

Lic. Karen Fahrenkrog Borghero, karenfahrenkrog@gmail.com, Universidad Academia de Humanismo Cristiano 

El objetivo de la ponencia es reflexionar en torno a las memorias y al rol de lo político en su (re) construcción y usos por parte de los actores sociales de una comunidad/territorio determinado, como también, en relación al rol del antropólogo como un actor más en las prácticas investigativas de reconstrucción de memorias. Esto es realizado a partir de la experiencia de una investigación que hemos efectuado: la reconstrucción, desde los actores locales, del proceso de Reforma Agraria en el Valle de Longotoma, comuna La Ligua, Chile. La Reforma Agraria ha sido uno de los procesos de cambio económico-político de mayor trascendencia para los territorios rurales durante la historia reciente de Chile. Su realización se debe a dinámicas de cambio social de envergadura que se vivían en el país y América Latina, pero sus derivas están lejos de ser uniformes. A causas comunes procesos similares, pero de la misma manera, cristalización en los territorios de manera singular a partir de condiciones económicas, políticas y socioculturales propias. Desde la reconstrucción de las memorias sobre la Reforma Agraria en estas tierras, nos permitimos plantear algunas reflexiones que han surgido a lo largo de la investigación respecto la (re)construcción de las memorias y las historicidades de los sujetos y territorios, el rol de la memoria, en este caso de un proceso económico-político, hoy, cuando se vincula con conflictos y reivindicaciones del presente por parte de viejos y nuevos actores de la zona y finalmente, el papel de los/las antropólogos (as) al efectuar/participar en estudios (dinámicas) como las descritas.

7. La cosmovisión en el imaginario de la infancia Maya-Tzeltal

Dra. Maritza Gómez Muñoz, malugomu@gmail.com, Universidad Pedagógica Nacional

En esta ponencia retomo pasajes del capítulo Imágenes de la memoria, de mi tesis de doctorado, donde estudio los procesos simbólicos de la memoria oral comunitaria en los Altos de Chiapas. El tema viene de un trabajo etnográfico profundo. Se basa en una estrategia de campo, implementada a partir del hallazgo (en la convivencia con la infancia maya-tzeltal), de  representaciones de signos de la cultura, en dibujos sobre saberes comunitarios. En esta ocasión revelaré cómo es que la infancia en los tzeltales (y otros pueblos de Chiapas), recurre al imaginario para re-crear signos de referencia, de identidad y eticidad. Se trata de imágenes evocadas en una compleja iconografía de origen arquetípico de la memoria de su pueblo, y pertenecen a una serie de la memoria, que organiza en imágenes, mapas o códices, pistas de una memoria oculta o resguardada por el imaginario, en arquetipos de su cultura. En ese material de campo observé una memoria inédita, que no es de los ancianos, sino de la infancia indígena. Se trata de una  riqueza testimonial fabulosa, que me exigió pensar en una interpretación arqueo-antropológica, del material, y me referiré al método de comprensión diseñado para ese estudio. Hablaré de cómo los niños y niñas indígenas recurren a su imaginario, y de esa manera, mantienen viva la memoria, dando sentido ético a su identidad. La serie además es un aporte a los afanes de educación "intercultural" en tanto revela determinadas habilidades de representación  infantil, de la memoria antigua en el presente. En la ponencia citaré ejemplos de imágenes que narran el proceso de evocación como un recurso, de reconfiguración de la memoria en los actuales procesos de representación de la cultura, en los pueblos mesoamericanos. 

8. Memórias de balateiros de Monte Alegre, PA

Dra. Luciana Gonçalves de Carvalho, lu_gcarvalho@yahoo.com.br, Universidade Federal do Oeste do Pará

Este trabalho aborda resultados preliminares de um projeto de pesquisa e registro de relatos biográficos e memórias de cerca de 50 balateiros (extrativistas do látex da Manilkara bidentata, árvore conhecida como balateira), no Município de Monte Alegre e arredores, na região oeste do Pará. O projeto foi iniciado em 2010, e privilegia narrativas associadas ao extrativismo praticado nas florestas dos rios Maicuru e Paru, durante as décadas de 1940 a 1970. Busca-se, nas narrativas, identificar prioritariamente saberes, modos de fazer, territórios de extração, cronologia da exploração, circuitos de mercado, bem como relações de trabalho estabelecidas na cadeia produtiva da balata. Girando, normalmente, em torno da superexploração do trabalho humano, submetido ao sistema do aviamento, e da agrura da vida nos balatais, as lembranças narradas remetem, em contraponto, a um tempo de liberdade e prosperidade ritmado pela alternância da vida na cidade ou no campo, e no balatal. Esse tempo, lembrado com saudade, se encerra com a falência do negócio da balata, quando essa matéria prima é substituída por produtos sintéticos nas indústrias estrangeiras a que atendia até os anos 1970. Os balateiros se veem caídos no esquecimento - por parte dos antigos patrões, das mulheres que os procuravam, da família, do Estado, dos órgãos ambientais. Para os poucos que permanecem no ofício para atender ao artesanato regional de miniaturas, os tempos atuais são de insegurança, acentuada pela criação de unidades de conservação que restringem o acesso às balateiras. Refletir sobre essa situação é um dos objetivos do projeto, que integra o Programa de Extensão Patrimônio Cultural na Amazônia (PROEXT/MEC 2010-2011), o qual, em uma de suas frentes de trabalho, busca justamente articular instrumentos de proteção de patrimônios culturais e ambientais, e de salvaguarda dos direitos culturais e socioambientais de grupos locais.

9. Primeiras reflexões mais ou menos Benjaminianas sobre história, memória, indianidade e ambientalismo no médio Solimões (Brasil)

Dr. Adolfo de Oliveira, joaodasilva99@gmail.com, Universidade Estadual de Santa Cruz

Este trabalho pretende-se uma primeira reflexão, frouxamente inspirada nas teses sobre a história de Walter Benjamin, sobre a posição do 'Indígena' no interior do discurso da modernidade no ocidente. A partir de minha experiência como pesquisador do Instituto Mamirauá, uma OSCIP ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia e á UFPA, que é gestora das Reservas de Desenvolvimento Sustentado Mamirauá e Amanã (Médio Solimóes, Amazonas, Brasil) e da relação desta com grupos reivindicando identidade Indígena sobre os quais incidem as referidas reservas, analiso o aspecto performático da construção da indianidade como um projeto específico da modernidade, contraposto ao projeto conservacionista que norteia a atuação do Instituto.

10. O reconhecimento da Capoeira como patrimônio imaterial do Brasil e a herança africana: reflexões o processo do 'Inventário da capoeira' (DPI - IPHAN) e sua recepção pelos atores e agentes do mundo da Capoeira.

Dr. Wallace de Deus Barbosa, wallacededeus@terra.com.br, Universidade Federal Fluminense

A recepção dos atores e das comunidades envolvidas em processos de registros e estabelecimentos de planos de salvaguarda é um ponto fundamental para autenticação do processo de reconhecimento de um bem cultural hoje no Brasil e no exterior, em centenas de países onde esta prática é difundida. As reivindicações, conflitos, disputas de poder e os discursos sobre a origem desta prática cultural, são pontos a serem abordados que surgem de modo recorrente, nas narrativas dos principais Mestres de capoeira, no Brasil e no exterior, em suas distintas e principais vertentes: regional e angola. Narrativas que revelam identidades ligadas às culturas afrodescendentes e o alcance global da capoeira como suporte identitário constituem a base dos depoimentos colhidos no processo do Inventário, realizado através da realização de quatro encontros temáticos sobre a capoeira em três Estados brasileiros, entre os anos de 2005 e 2008. A partir do relato deste processo e da experiência posterior de estágio pós-doutoral no México (onde realizou survey para pesquisa sobre danças tradicionais indígenas, em 2008), o autor pretende refletir sobre processos mais amplos de patrimonialização de práticas e saberes tradicionais no Brasil e América Latina. 

11. Saberes e fazeres: técnicas de aprendizado e habilidades do ofício de barbeiro em Porto Alegre

Mg. Pedro Paulo de Miranda Araújo Soares, pedropaulo.soares@yahoo.com.br, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Este trabalho é um estudo antropológico da memória coletiva de uma categoria profissional urbana, no caso os barbeiros e barbeiras da cidade de Porto Alegre. Pretendo discutir sobre aspectos dos saberes e fazeres da profissão que incluem as redes sociais de ingresso na profissão, isto é, as relações sociais e os lugares que operam na formação de um barbeiro(a), bem como os processos de aprendizado do ofício, ou seja, as técnicas, práticas e atitudes dos neófitos diante do conhecimento que lhes é transmitido. Assim, procuro delinear os gestos e habilidades específicas do ofício de barbeiro levando em conta as suas transformações ao longo do tempo, seu dinamismo no cotidiano e as singularidades dos profissionais que colaboraram nesta pesquisa.

12. Patrimônio para todos: a política de educação patrimonial e os embates das memórias no processo de construção dos sujeitos sociais

Lic. Canuto Diógenes Saldanha Neto, diogenes_nettu@hotmail.com, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Compreendendo a memória como um campo de disputas de poder e de legitimação, este trabalho objetivou analisar o Projeto Patrimônio Para Todos, política pública do governo do estado do Ceará, que visa trabalhar buscando conhecer e registrar os patrimônios afetivos das comunidades locais com o intuito que estas os valorizem, causando um sentimento de pertença na comunidade. Como percurso metodológico foi realizada uma intensa etnografia da edição 2012 do Projeto, que teve enfoque nas comunidades indígenas e quilombolas do Ceará. Além de pesquisa bibliográfica, foi realizada pesquisa de campo na primeira etapa do projeto (capacitação dos facilitadores, monitores e técnicos) e nas etapas posteriores. Estas se trataram da aplicação do projeto nas comunidades indígenas dos Tabajaras e Calabaças (Poranga - CE), nas comunidades da Varjota e de Almofala dos indígenas Tremembés (Itarema - CE) e finalmente na comunidade quilombola de Águas Pretas (Tururu - CE). O trabalho conclui que uma política pública que trabalha os patrimônios afetivos (não-consagrados) das comunidades locais é imprescindível para a construção, valorização e fortalecimento das identidades locais, valorizando as diversas memórias sociais e contribuindo para o processo de formação de sujeitos sociais ativos e críticos, partícipes como protagonistas da história.

13. História, memória e identidade: notas sobre entrevista feita com Seu Naná, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo da Ilha da Marambaia - RJ/ 2012

Mg. Daniela Yabeta, danielayabeta@gmail.com, Universidade Federal Fluminense

Dionato de Lima Eugênio, conhecido como Seu Naná, nasceu na ilha da Marambaia em janeiro de 1942, filho de Raimundo e Albertina Eugênio de Lima. Ao lado se sua família, passou toda sua infância e juventude na ilha, local onde se casou e teve três filhos. Em 1998, quando residia com sua irmã Eugênia na praia do Sítio foi surpreendido com uma ação de reintegração de posse ajuizada pela União Federal, proprietária da Marambaia desde 1905, contra sua irmã. A União alegava que Dona Eugênia era "invasora do território". Indignado com essa situação, Seu Naná iniciou sua atuação política junto a comunidade. Ao lado de outros moradores, fundou em 2004 a Arquimar - Associação dos Remanescentes de Quilombo da ilha da Marambaia. Atualmente no seu terceiro mandato como presidente da Arquimar, durante a entrevista realizada em março de 2012, Seu Naná falou sobre sua infância na ilha, sobre o período da Escola de Pesca e sobre seu maior desejo: de que algum jovem da Marambaia assuma seu lugar na presidência da associação. Através da história de Seu Naná, podemos reconstruir a trajetória das famílias descendentes de ex-escravos do tempo dos Breves, proprietário da ilha de 1847 até 1889. Sua entrevista nos fornece grandes indícios de como essas famílias permaneceram na ilha mesmo após o fim da escravidão (1888), após a morte do comendador (1889), após a chegada da Escola de Pesca (1939) e mesmo após a chegada da Marinha (1971). Podemos verificar como os moradores através da Arquimar, lutam pela titulação do território onde vivem como remanescentes de quilombo, através do Artigo 68 da Constituição Federal de 1988.

14. Fronteiras do imaterial: perspectivas dos inventários culturais a partir de uma manifestação cultural amazônica

Mg. Edgar Monteiro Chagas Júnior, edgarchagas@yahoo.com.br, Secretaria de Estado de Educação, Estado do Pará

Dra. Carmem Izabel Rodrigues, cisbel@yahoo.com.br, Universidade Federal do Pará

Esta comunicação propõe uma análise acerca das questões atuais relativas às ingerências do processo de reconhecimento oficial de uma manifestação cultural amazônica, o Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Este processo, como se observa, engendrou discussões em diversos domínios retóricos, relacionados não somente ao processo de registro, mas, principalmente, à própria representação atual desta manifestação no cenário cultural do Estado do Pará, comumente enquadrado em diferentes âmbitos discursivos (Estado, academia, mídia, literatura) como uma das mais significativas expressões da cultura popular paraense. As interferências externas, as estratégias de negociação interna, as sociabilidades, a memória e as histórias de vida, as antigas e novas formas organizacionais, o empreendedorismo versus a prática habitual, os conflitos, os usos, entre outras situações, são questões atuais que envolvem os grupos e agentes sociais que passaram a se ligar direta ou indiretamente à manifestação. A experiência etnográfica realizada revelou um vasto cenário cultural informativo de praticas e estratégias de grupos sociais que estão em constante embate com as formas de apropriação delimitadas pelo mercado de bens culturais relacionado à indústria cultural. Neste ínterim, verificou-se a partir de pesquisas de campo em comunidades de pescadores e lavradores em vasta área do litoral do Pará, uma rede simbólica de relações sociais produzidas pelos grupos de carimbó a qual, através de uma ação conjunta, corresponde a reelaboração de novas formas de diálogo com agentes externos possibilitando diferentes arranjos de reivindicações elaboradas a partir das demandas surgidas após a pesquisa de campo. Como resultado, implementou-se a primeira ação de salvaguarda na manifestação através de encontros e oficinas de transmissão de saberes tradicionais focados nos instrumentos musicais utilizados pelos grupos de carimbó. Com isso, pretende-se expor estes resultados buscando-se enriquecer o debate sobre os inventários e registro do patrimônio imaterial elaborados nas Américas.

15. Entre portos e ritos: a memória do candomblé no Brasil

Mg. Janaina de Figueiredo, janaacubalin@gmail.com, Pontifícia Universidade Católica

O presente trabalho pretende discutir a relação entre os portos e o surgimento do candomblé no Brasil. Para tanto, utilizaremos a memória e as histórias de vida como recursos metodológicos para desvendar experiências e relações construídas em torno da vida portuária, dando enfoque aos ritos que daí surgiu.  O candomblé nasceu em fins do século XIX na Bahia (no Brasil) como uma experiência religiosa da diáspora negra, ou seja, uma religião formada pelos amplos e complexos processos de resignificação das populações africanas no Brasil.  Muitas cidades que surgiram na costa brasileira se constituíram a partir da lógica dos seus portos que no período colonial girava em torno do tráfico de negros africanos escravizados no Novo Mundo.  Assim, a hipótese que norteia essa análise parte do seguinte fato: os candomblés no Brasil surgem nas cidades litorâneas alimentando uma rede de relações sociais em que os ritos eram parte importante dessa dinâmica social. Muitas dessas experiências são recontadas pela literatura e memórias de pais e mães de santo (os sacerdotes e sacerdotisas) que se procura aqui desvendar e cujos elos apontam para elementos identitários.  Nas últimas décadas, esses relatos ao trazerem essas memórias excluídas da história oficial, delinearam políticas públicas de resgate dos terreiros de candomblé dando início ao processo de preservação dessas memórias e trazendo a tona as redes sociais construídas em torno dos portos brasileiros. É nesse cenário, nas interrelações entre ritos, portos e patrimônio que se procura aqui discutir.

16. "A gente chegou aqui antes da universidade". História e memória de um assentamento urbano no campus universitário da Ilha do Fundão (Rio de Janeiro, Brasil)

Dra. Leticia Luna, leluna2005@yahoo.com.br, Universidade Federal Fluminense

Este trabalho resulta da pesquisa de doutorado realizada pela autora, que teve como objeto de análise o conflito existente entre uma localidade situada no interior do campus universitário da Ilha do Fundão e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acerca da gestão e responsabilidade sobre a área ocupada pelos pouco mais de mil moradores. Partindo de uma perspectiva etnográfica, pretende-se, no primeiro momento desta apresentação, resgatar a história de ocupação da Ilha do Fundão, constituída, durante as décadas de 1950 e 1960, sobre aterros de um antigo arquipélago habitado sobretudo por famílias de pescadores e pequenos agricultores, muitos dos quais foram incorporados como mão de obra na construção do campus e se transformaram em funcionários da universidade, estabelecendo depois moradia na localidade que ficou conhecida como "Vila Residencial da UFRJ". Num segundo momento, o foco do trabalho será analisar o papel desempenhado pela memória nas narrativas dos moradores enquanto reconstrução do passado a partir do presente, mostrando como que, diante de situações de conflito, essas narrativas operam formas de fundamentação de direitos, reafirmando o sentimento de pertencimento ao lugar e evocando a localidade como "patrimônio natural da região", até a conquista do direito de permanecerem na área através da regularização fundiária.

17. Circuitos e estratégias do lugar social da dança de mestre-sala e porta-bandeira das escolas de samba do RJ

Dra. Renata de Sá Gonçalves, sarenata2005@yahoo.com.br, Universidade Federal Fluminense

A noção de "tradição" vem sendo uma categoria usada para qualificar a ação de grupos e para legitimar determinadas expressões culturais. A problematização de seus variados usos traz à tona o debate sobre as políticas de financiamento e incentivo às "expressões culturais tradicionais". O samba, com suas "matrizes" recentemente registradas, em 2007, como patrimônio imaterial no âmbito nacional, é um dos casos bons para pensar. A proposta aqui é analisar os circuitos de transmissão de saberes ligados à expressão popular e artistica, "o samba", a partir da dança de mestre-sala e porta-bandeira das escolas de samba. A ancoragem do trabalho etnográfico é o projeto educativo e social coordenado no Rio de Janeiro por Manoel dos Anjos Dionisio que, implementado desde 1990, visa à formação de mestre-sala e porta-bandeira. Tal projeto desenvolvido voluntariamente por este senhor negro se tornou uma das principais referências de transmissão da dança do casal, tida como popular e tradicional, inserida no âmbito das escolas de samba. Sua iniciativa pouco prestigiada pelos órgãos de políticas publicas, nos permite refletir sobre a atuação mais ampla e o papel dos sujeitos diante dos processos de patrimonialização da cultura. A atuação de Dionísio em diversos meios sociais objetiva angariar fundos, articular pessoas e adequar seu projeto às politicas culturais. Sua mediação permitiu a expansão de pólos de aprendizado da dança em diversas cidades no Brasil onde presta consultorias junto a orgãos de política cultural, faz visitas e coordena grupos de dança, além de atuar como dançarino e professor. Pretendo aqui mostrar e refletir sobre a maneira singular e criativa de mediação social de Dionísio no mundo do carnaval e, mais recentemente, sobre sua ação junto aos órgãos culturais voltados para a divulgacao e preservação da "cultura". Desse modo, busco apresentar como a idéia de "tradição" é ressemantizada nesses circuitos específicos.

18. Singularidades identitárias da comunidade quilombola de Jurussaca: memória, etnicidade e performances

Mg. Maria Célia Barros Virgolino Pinto, celiavirgolino@hotmail.com, Universidade Estadual do Pará

Este trabalho se constitui em uma análise preliminar sobre a pesquisa que venho realizando na comunidade de remanescentes quilombolas de Jurussaca, município de Tracuateua, no nordeste do estado do Pará.O principal objetivo é refletir acerca de certas dimensões que revelam o processo de constituição identitária dessa comunidade; do uso e da posse da terra, das impressões gerais em relação à cultura, das configurações corporais, performances, dos costumes e da história de Jurussaca. As narrativas coletadas revelam os mecanismos utilizados pelas mulheres que subvertem as políticas de embranquecimento construídas e as que se encontram em construção. Tendo em vista os objetivos propostos, o procedimento metodológico adotado para a realização da pesquisa que ora se inicia, é a etnografia. A partir da premissa de que grande parte de aspectos da concepção humana são culturalmente construídos, o que os torna particulares e localizados, sem possibilidades de generalização. A etnografia se "refere ao estudo do modo como os indivíduos constroem e compreendem as suas vidas cotidianas" (Bogdan & Biklen 1994:60). Nesse sentido utilizo alguns procedimentos tradicionalmente ligados à etnografia, como a observação participante e a entrevista não estruturada.

19. Memórias territoriais: reflexões sobre patrimônio cultural e direitos coletivos

Lic. Beatriz Accioly Vaz, biaccioly@gmail.com, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 representou um marco no reconhecimento de direitos diferenciados de populações tradicionais e na ampliação do campo do patrimônio cultural, até então referenciado predominantemente no patrimônio de "pedra e cal". Nesse contexto, os grupos auto-identificados como remanescentes de comunidades quilombolas ou quilombolas, passaram a ser amparados pela legislação no que diz respeito à titulação de suas terras e reconhecimento de direitos culturais, previstos nos artigos 215 e 216. A partir da mudança de perspectivas incorporada no texto constitucional, que teve início ainda na década de 1970, O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela proteção e salvaguarda do patrimônio cultural em âmbito nacional, precisou responder às demandas surgidas pelo reconhecimento dos bens referenciais da matriz afro-descendente, dentre os quais, aqueles relativos às comunidades quilombolas. Assim, o tombamento e, a partir do ano 2000, o registro, instrumentos da política de patrimônio nacional de uso privativo do Iphan, passaram a ser acionados como formas de reconhecimento, proteção e salvaguarda desses bens. Contudo, a perspectiva adotada pelo órgão, em que a cultura é concebida de forma fragmentada, tanto pela separação de suas dimensões "materiais" e "imateriais" como pela categorização dos bens em diferentes Livros - no caso do patrimônio imaterial, a partir das categorias: "saberes", "formas de expressão", "celebrações" e "lugares" -, coloca obstáculos para o reconhecimento do patrimônio cultural de comunidades quilombolas. Com isso, a complexidade de tais contextos, nos quais muitos dos saberes e práticas são inter-relacionados e o vínculo com o território é estruturador de diversas relações, dificilmente é contemplada pelas políticas patrimoniais. Dentro desse universo, o presente trabalho propõe a partir de um estudo sobre a comunidade Quilombola das Famílias Teodoro de Oliveira e Ventura, em Patos de Minas e Serra do Salitre (MG), uma discussão de como o(s) patrimônio(s) cultural (is) quilombola (s) vem sendo tratado(s) nesse campo, buscando identificar os conflitos e as possibilidades existentes no reconhecimento de direitos coletivos dessas comunidades através das políticas patrimoniais.

20. Um porto de memórias: destruição, preservação e futurismo na Região Portuária do Rio de Janeiro

Lic. Mayã Martins, martins.maya@gmail.com, Universidade de São Paulo 

Ao final da década de 2000, em junho de 2009, os níveis de poder federal, executivo e municipal propõem o projeto "Porto Maravilha", na Região Portuária da cidade do Rio de Janeiro como prioridade política. A Região Portuária já contava com imóveis tombados como patrimônio, mas as obras de revitalização convergem interesses na região e constroem novos processos de reconhecimento patrimonial. Essas dinâmicas podem ainda ser ambíguas, como na descoberta de material arqueológico do Cais do Valongo nas obras do "Porto Maravilha", envolvendo relações complexas entre demolições, esquecimento, resgate, lembrança e preservação. A espacialização e a materialização da cultura nas áreas centrais, notoriamente sob a forma de patrimônio, são fundamentais para a escolha da Região Portuária como lugar para a implantação de modificações urbanas. As áreas centrais são em geral as regiões de maior acessibilidade e concentração de diversos equipamentos, além de deterem os marcos de memória da cidade e seus diversos significados. Simultaneamente, enquanto referências turísticas da cidade vão sendo negociadas na Região Portuária, o processo cerca-se não apenas de valores históricos, já presentes nos guias de turismo e reavivados ocasionalmente pelas obras, como, sobretudo, vale-se de visões de um Rio de Janeiro futurista e aberto às dinâmicas internacionais, com projetos inspirado em modelos estrangeiros e de forte apelo a uma estética do novo e do sublime, como o Museu do Amanhã, como o próprio nome explicita. A pesquisa debruça-se na análise dos lugares marco de identificação da Região Portuária e sua relação com a cidade, bem como numa fundamentação teórica do conceito de memória, refletindo sobre sua construção e acionamento.

21. Memoria colectiva y patrimonio: Estrategias de acción para la recuperación de la ciudad Sagrada de Quilmes- Argentina

Lic. Crispina Rosario González, crispinarg@gmail.com, Universidad de Buenos Aires

Los reclamos territoriales por parte de los pueblos indígenas en Argentina, nos permiten dar cuenta de diversas estrategias organizativas y fortalecimiento comunitario a través de la puesta en marcha de acciones que ponen en práctica un  uso político de la identidad como pueblos originarios. Es así que, el objetivo de esta ponencia es visibilizar la dinámica de un proceso aún abierto, en el que la Comunidad India Quilmes de la provincia de Tucumán, ha venido reclamando la restitución de la Ciudad Sagrada de Quilmes, uno de los sitios arqueológicos más importantes de nuestro país, y de alto valor material y simbólico para las comunidades. Nuestro punto de partida en tal sentido es considerar que el ejercicio de la memoria es central a la hora de hablar del modo como se constituyen identidades, especialmente colectivas. Si bien conceptualmente es dificultoso definir memoria y memoria colectiva, estimamos que una característica definitoria está dada por la apropiación del pasado (un pasado) y su representación a nivel colectivo como parte de un proyecto estratégico político intencional. Recordar no es una simple repetición, sino un modo de componer el pasado en función de datos e intenciones del presente. De allí que este recordar sea plural, fruto de múltiples voces. Por otra parte, creemos que estos procesos deben ser siempre analizados en el contexto más amplio de los movimientos identitarios que los pueblos indígenas vienen desarrollando en nuestro continente en los últimos años, en el marco de la denominada "emergencia indígena", contexto éste que permite dar cuenta de su real dimensión y su carácter dinámico y cambiante.

22. Sobre saberes, práticas e políticas: o inventário dos saberes e práticas das parteiras tradicionais de Pernambuco

Mg. Júlia Morim, julia@institutonomades.org.br, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Lic. Dan Gayoso, dan@institutonomades.org.br, do Instituto Nômades

Utilizando a metodologia do INRC, o inventário dos saberes e práticas das parteiras tradicionais de Pernambuco foi realizado pelo Instituto Nômades entre 2008 e 2010 em seis municípios e três etnias indígenas do estado, incluindo um total de 254 parteiras. Em contato com as demandas e dificuldades enfrentadas por parteiras tradicionais, julgamos pertinente realizar o inventário, com os principais objetivos de: desvelar a realidade da assistência ao parto em casa pelas parteiras, identificando problemas e possíveis soluções; levantar informações existentes sobre esse universo, e (re)conhecer as parteiras, os saberes e as visões de corpo e de mundo que são transmitidos entre gerações. Ao longo do processo verificou-se a pertinência da solicitação do Registro do ofício como Patrimônio Imaterial brasileiro, inclusive como ação política de reconhecimento e valorização do ofício, e de efetivação e revisão de políticas públicas, dentre elas programas de saúde já existentes. Propomos enfocar a experiência do inventário e seus desdobramentos, debater dificuldades e potenciais identificados tanto na metodologia utilizada como no bem cultural inventariado (inclusive na sua continuidade) e discutir como políticas públicas de patrimônio e seus instrumentos implicam em desdobramentos, a partir da experiência específica. Entendemos o  inventário como produtor de conhecimento, como forma de se obter dados e informações da situação atual do bem, como subsídio (diante da situação de invisibilidade da parteria tradicional) para negociar e demandar ações governamentais, neste caso, por meio do pedido de Registro, e como meio de articulação com organizações que trabalham a temática com foco na saúde, propondo uma perspectiva para além da saúde, pelo viés cultural. Ao mesmo tempo, o inventário se constitui como instrumento de modificação da realidade inventariada, na medida em que envolve a comunidade e sua rede de articulações, e leva os sujeitos detentores do bem cultural a refletirem sobre seus saberes e práticas.

23. Direitos coletivos quilombolas e a disputa dos sentidos da memória

Mg. Maria Helena Sant'Ana, maria.helena.sant.ana18@gmail.com, Universidade de Santa Cruz do Sul

Reflexão e interpretação etnográfica acerca das transformações advindas com o processo de demarcação, desapropriação e titulação de área rural quilombola no sul do Brasil, em Rincão dos Negros, agenciado por órgão federal e politicas governamentais de implementação de artigo constitucional do Estado brasileiro. Interpreta-se a agência das narrativas e memória social da comunidade de Rincão dos Negros, em relação com os discursos e teses antropológicos produzidos sobre esta mesma comunidade, os agentes do Estado, e as intepretações que famílias de proprietários a serem desapropriados fazem sobre o processo e os laudos antropológicos. Territorialidade negra marcada por narrativas de beligerâncias e conflitos de longa data vividos com famílias brancas acusadas de grilagem de terras, às quais a memória coletiva inscreve em ato inaugural da comunidade a doação por herança das terras de senhora aos seus escravos, que são em mesmo ato libertos. Ao mito de fundação, inscreve-se tradição religiosa profundamente enraizada, a Festa anual de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, e cuja existência de Capela e procissão negra, ao lado de Igreja e procissão branca, atualizam, de forma sagrada, o ato de fundação de território e comunidade negra, assim como sua resistência à resignificação do lugar como território de "famílias brancas". A Festa religiosa, que funde gerações de negros que retornam anualmente ao lugar, e tempos passados e presente, passou a ser boicotada por brancos, ressignifcada politicamente. Nesta perspectiva, orientou-se para o mapeamento e interpretação das dinâmicas que relacionam formas de pertencimento inscritas em visões mais tradicionais e as emergentes, que possibilitam compreender os modos coletivos de investir significativamente sobre as possibilidades em devir de realidades e tradições em transformação, que as põem em novo campo semântico, uma vez categorizadas e disputadas como patrimônio cultural e político e com valor atribuído por interpretações de laudos e teses antropológicos.

Miércoles 14 de marzo de 2012

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