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Departamento de Antropología

S34. Sáude e doença, sofrimento e cura: entre a medicina e a religião

Día Horario Sala Sede Dirección
Lunes 5 13:00-18:40 UR 10 Universidad ARCIS Libertad 53 (ver mapa)
Martes 6 09:00-18:40 UR 10 Universidad ARCIS Libertad 53 (ver mapa)

 

2. Feira (Lunes 5):
13:30 – 13:45: Introdução
13:45 – 15:00
Érica Quinaglia Silva, Université Paris Descartes
Lilian Maria Pinto Sales, Universidade de São Paulo
Cleiton Machado Maia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro y Narcissa Castilho Melo, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
15:15-15:30: Pausa
15:30 – 17:30
Vanuza Wagny de Oliveira, Universidade Federal de Campina Grande; Magnolia Gibson Cabral da Silva, Universidade Federal de Campina Grande
Sandra Carolina Portela García, Universidade Federal de Santa Catarina
Vanderlúcia da Silva Ponte, Santa Casa de Misericórdia do Pará; Maria José da Silva Aquino, Universidade Federal do Pará
3. Feira (Martes 6)
9:00 – 10.30
Margret Jaeger, University of Health and Life Sciences Austria. y Breno Rodrigo de Oliveira Alencar, Museu Emilio Goeldi
Rosalyn Díaz Quintero Venezuela, Universidad de Zulia
Ute Hargassner, Universidad de Viena
Discussão final sobre as apresentações e a temática saúde, religio e ritual
10:00 – 10:45: Pausa
10:45 – 12:15
Ivana Teixeira, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Tiago Coutinho Cavalcante, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Gustavo Ávila Dias, Universidade Federal do Sergipe
12.30 – 14:00: Pausa
14:00 – 15:30
Ells Natalia Galeano Gasca, Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social
Daniela Maria Barreto Martins, Universidade Federal de Pernambuco
Discussão final sobre sistemas de saúde, doenças

Proponentes:

Dra. Clara Saraiva, clarasaraiva@fcsh.unl.pt,  Universidade Nova de Lisboa

Dra. Margret Jaeger, margretjaeger@yahoo.com, University of Health and Life Sciences Austria

Resumo

O simposio pretende explorar o panorama das abordagens antropológicas que se situam na intersecção entre a antropologia da religião, antropologia da saúde e terapias alternativas e a antropologia da morte. Aceitamos propostas que dêem a conhecer o modo como as diversas sociedades humanas procuram soluções para o medo, o sofrimento e a morte, mostrando como diferentes facetas religiosas (oriundas de contextos etnográficos diversos)  se aliam a terapias alternativas múltiplas para tentarem encontrar soluções para as situações de crise (life-crisis situations), e maneira como elas lidam com a morte, que acontece quando essas múltiplas tentativas de ultrapassar as crises falham. Podem ser abordados tópicos relacionados directamente com a delimitação do campo prático dos cultos religiosos e mágicos (shamanismo, feitiçaria, transe e advinhação); a antropologia de saúde (cultos terapêuticos e usos religiosos de drogas); e a conceptualização e relação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos (morte, espíritos e culto dos antepassados). Serão utilizados exemplos que cobrem a diversidade dos contextos etnográficos (America Latina, África, Europa, Ásia), bem como a questão das dinâmicas religiosas e terapêuticas no mundo de hoje, em que serão discutidas as temáticas das migrações, novas religiões e transnacionalização de cultos e curas.

Palavras Chave

Religião, antropologia médica, terapias alternativas, antropologia da morte, diversidade.

1. Sofrimento e morte fora de casa: os imigrantes guineenses e brasileiros em Portugal

Dra. Clara Saraiva, clarasaraiva@fcsh.unl.pt, Universidade Nova de Lisboa

Apesar do interesse suscitado pela recente condição de Portugal enquanto país de imigração, têm sido negligenciadas algumas questões importantes relacionadas com os estados de sofrimento e morte - 'estados de aflição' - dos imigrantes. A morte, em particular, é um tema difícil mas crucial que não tem sido tocado nos estudos sobre imigração. Como é que os imigrantes percepcionam a morte e a incorporam na conceptualização da diáspora? Como é que os diferentes grupos de imigrantes conceptualizam o sofrimento e a morte nos outros grupos? Numa sociedade ocidental em que a morte se tornou um tabu, este distanciamento face ao último rito de passagem da vida pertence à esfera do mito e do preconceito - a invisibilidade da morte. No entanto, para os próprios imigrantes, é uma realidade com que têm de lidar e que frequentemente determina o tão ambicionado regresso temporário a casa. A morte é aqui vista não apenas como um momento no tempo, mas como um processo, que envolve estados emocionais específicos e que desencadeia o uso de rituais para lidar com a inevitável angústia que tende a adquirir aspectos ainda mais complicados quando se está longe de casa. A morte é uma dimensão onde a abordagem transnacional é obrigatória, já que encerra uma intensa circulação, não apenas de bens materiais e riqueza, mas também de universos significativos e simbólicos que circulam juntamente com os bens e as pessoas: o corpo, mas também os espíritos e as relações com o outro mundo que as pessoas trouxeram para a diáspora. A partir de estudos de caso dos guineenses e brasileiros imigrantes em Portugal, esta comunicação pretende desconstruir noções preconceituosas acerca do que acontece aos mortos imigrantes e olhar a "gestão da morte", incluindo representações simbólicas bem como aspectos práticos, tais como os processos legais para repatriamento dos corpos.

2. Aids é curavel: um estudo de caso sobre saúde da mulher

Dra. Margret Jaegermargretjaeger@yahoo.com, University of Health and Life Sciences Austria

Mg. Breno Rodrigo de Oliveira Alencarbrenodai@yahoo.com.br, Museo Emilio Goeldi

Mulheres são conhecidas por ter um comportamento de saúde diferenciado dos homens com mais atenção à sua saúde em geral, tanto em momentos de doença quanto na prevenção e na promoção de saúde, mas também de ser responsável para a saúde dos  membros da família. O comportamento de saúde das pessoas parte da concepção individual dos motivos de adoecer e como ficar com saúde, envolvendo os conceitos mais diversos sobre o surgimento de doenças. A interligação entre saúde e religião é historicamente forte, não apenas influenciada pela ausência de serviços de saúde em certas regiões, mas também pela forte crença na palavra de Deus, do padre/pastor, como meio de cura. Ao mesmo tempo o mundo globalizado e tecnologizado nós oferece através da internet uma variedade de informações, em diversos formatos e qualidade, e as pessoas usam estas fontes também para se informar sobre os assuntos relacionados à saúde e às doenças. A apresentação discute o caso de uma mulher brasileira da classe media entrevistada em 2007 dentro de um projeto sobre saúde da mulher e câncer de mama na Amazônia em qual surgiu à questão religiosa como justificativa de cura. Ela representa a mulher moderna, moradora da cidade, solteira, com nível superior de educação, independente, mostrando um alto grau de avaliação de informações de saúde trazidas a ela. Mas ela também é praticante de uma religião e no momento da crença na doutrina da religião mostra a contradição de ter a capacidade intelectual e o capital social (seguindo Bourdieu) de buscar informações sobre saúde de qualidade e acreditar na cura do AIDS, determinada pela medicina como doença fatal. Tenta  interpretar o caso a base da hermenêutica e com a interligação entre as disciplinas.

3. Tenetehara- tembé: ritual de la "menina moça",salud y aprendizaje de la cultura, -territorio y acción local

Mg. Vanderlúcia da Silva Ponte, vantutorapa@gmail.com, Santa Casa de Misericórdia do Pará

Dra. Maria José da Silva Aquino, mjaq@uol.com.brUniversidade Federal do Pará

El presente artículo se centra en el análisis de la salud tradicional, de los Tenetehara-Tembé, para fortalecer el aprendizaje de la cultura, y las acciones de políticas de salud pública en los grupos Tembé. Este análisis es posible gracias a la observación del ritual de la "menina-moça" en el Rio Gurupi, pero también a través de los registros, las participaciones en eventos tanto con los Tembé-Tenetehara en el Rio Guamá como en el Gurupi. Con el análisis se pretende demostrar las estrategias y acciones desarrolladas por los Tembé para actualizar la "tradición" y fortalecer las marcas de la cultura. Se tiene también como objetivo demostrar cómo la cuestión de la salud tradicional se cruza con la política pública del Estado, destacándose, sobretodo, las alianzas y los mecanismos utilizados por los Tembé en la acción local para justificar y reivindicar sus derechos y garantizar el territorio. Basándose en Sahlins (1979), evidenciase, así, que las diferentes dimensiones políticas asumidas por los líderes indígenas Tembé delimitan nuevas estrategias, nuevas formas de lidiar con la salud, la naturaleza y el mundo cultural, produciendo aprendizaje y conocimiento a los Tembé.

4. La medicina tradicional indígena de los Shipibos (Perú) en el contexto de la psicoterapia en Austria. Aspectos jurídicos de una cooperación transcultural

Dra. Ute Hargassner, ute.hargassner@blickwechsel.at, Universidad de Viena

La cooperación transcultural entre psicoterapeutas y shamanes indígenas practicada en Austria está reglementada por un marco jurídico muy estricto. Remedios vegetales están calificados drogas illegales y las intervenciones del shamán en el mundo invisible pueden parecer fraude en el secular mundo jurídico. Este análisis se centra en los encuentros de un psicoterapeuta Austriaco y de sus clientes con la medicina y las ceremonias tradicionales de los curanderos Shipibos del Perú: la toma de ayahuasca, los icaros y la dieta de plantas maestras. Entrevistas narrativas con los actores principales revelan las construcciones comunes y individuales sobre los conceptos de enfermedad, de curación y del significado de las intervenciones shamánicas en el proceso psicoterapéutico. El análisis jurídico enfoca las consecuencias de estas construcciones según las leyes del derecho civil y del derecho penal en Austria. A base de este análisis es posible deducir directivas y recomendaciones para la cooperación terapéutica transcultural que ofrecen más seguridad jurídica a todos los actores.

5. Nas fronteiras do sagrado e do profano: João de Deus ou João da Terra?

Dra. Érica Quinaglia Silva, equinaglia@yahoo.com.br, Université Paris Descartes

Este trabalho, resultado da tese de doutorado em Sociologia, Demografia e Antropologia Social, realizada na Université Paris Descartes (Sorbonne) e na Universidade Federal de Santa Catarina, tem como objetivo investigar os itinerários terapêuticos da terceira revelação, ou espiritismo, no Brasil. A investigação é feita na região metropolitana de Brasília. O espiritismo nasceu como ciência e filosofia na França. Foi apropriado enquanto religião no Brasil. Nesse país, confrontou-se com a medicina. Segundo as representações e práticas espíritas, tanto a saúde como a doença abrangem, além da dimensão bio-psico-social, a espiritual. Isso permeia questões não somente religiosas e científicas, como também políticas, éticas e jurídicas e questiona a definição mesma de cura. Nesse sentido, há diversos indicadores da eficácia de diagnósticos e tratamentos espirituais. Apresentar-se-ão relatos de cura de pacientes que frequentam a Casa de Dom Inácio de Loyola, narrativas do médium João de Deus e pesquisas na medicina a respeito das relações entre saúde e espiritualidade. O que dizem esses sujeitos a respeito do objeto de pesquisa apresentado? Como explicar os casos considerados como bem-sucedidos? Trata-se de sugestão, efeito placebo, eficácia simbólica? Quais são as divergências e as convergências entre a saúde e o espiritismo? São esses itinerários que este trabalho intenta percorrer. E é a partir desses trajetos que se pretende abrir novas perspectivas de compreensão do outro e de nós mesmos.

6. As curas milagrosas da Virgem Maria em Lourdes: o debate médico religioso

Lic. Lilian Maria Pinto Sales, lisales@usp.br, Universidade Federal de São Paulo

Nosso objetivo nesta apresentação será analisar uma parte do debate médico-científico que se instaurou em torno das curas milagrosas de Lourdes no final do século XIX e na primeira metade do século XX na França. As aparições de Nossa Senhora de Lourdes e a vocação de curas atribuída a ela, especialmente as águas da fonte sobre a qual a Virgem se manifestou,  é o emblema de um intenso debate que polariza representantes da Igreja e defensores do cientificismo na França do século XIX e XX. Diante do aumento da legitimidade das ciências desde o século XIX, a Igreja passa a utilizar métodos científicos para demonstrar a veracidade dos milagres e curas, para isso é instalado em Lourdes o escritório de análises clínicas, no qual a análise de cada relato de cura é realizado por um comitê médico. O escritório de análise médicas de Lourdes representa uma nova maneira de se analisar as curas pela Igreja, baseado em comprovações médicas e científicas. Entretanto, por outro lado, as aparições sofrem uma série de ataques, em que médicos e cientistas buscam demonstrar a falsidade das curas por meio de dados e evidências. Nossa intenção nesta apresentação é, por um lado, compreender melhor este debate, no qual os termos, evidências e lógica médico-científico ganham centralidade, e, por outro lado demonstrar de que maneira a legitimação científica vai ganhando espaço no universo religioso católico a partir deste período. Como a Igreja busca legitimar as aparições e as curas por meio de um aparato das ciências médicas é uma importante questão que deverá ser explorada nesta apresentação.

7. Optcha!!! Políticas de cuidado, na interface entre saúde, religião e emoção: o caso da tenda cigana espiritualista Tzara Ramirez

Lic. Cleiton Machado Maia, cleitonmmaia@gmail.com, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Lic. Narcissa Castilho Melo, narcisa.castilho@gmail.comUniversidad Federal Rural do Rio de Janeiro

O presente trabalho visa abordar a temática contemporânea: o campo de atuação referente às emoções, especialmente o domínio do sofrimento e da aflição vinculado ao campo religioso. Isso provocou o surgimento de mediadores que desenvolveram uma forma específica de atuação - os denominados "psico-religiosos". O estudo se expressa por ser este um contexto em voga e com espaços significativos na vida em sociedade, onde encontramos exemplos de atuação como a relação entre medicina e espiritismo, psicologia e centros religiosos, entre outras. Estes exemplos destacam uma relação que ganhou espaço no cenário atual: a busca por suporte e superação de sofrimento, como também as peculiaridades ligadas às experiências de vitimização - políticas emocionais religiosas e política médicas - nos campos religiosos diversos. A modernidade produziu uma busca por terapias que abarquem o sofrimento, visando o alívio imediato e levando em consideração o processo de vitimização experienciado pelo indivíduo. Isso provocou o surgimento de diversas atuações terapêuticas que acabam por unificar os mais diversos procedimentos em busca de atender cada pessoa da melhor maneira possível. Nesse contexto sociocultural encontramos um crescente número de religiões "espiritualistas" e com "práticas terapêuticas psico-religiosas", que propõem um alívio imediato, ou atendimentos a longos prazos e encontros específicos, a esse sujeito vitimizado, através de uma "terapia religiosa" ou "cura espiritual". Será realizado então um trabalho no grupo religioso "Tenda Cigana Espiritualista Tzara Ramirez" com objetivo de analisar as propostas de terapias, chamadas pelo grupo religioso de "holísticas", como, por exemplo, psicologia, energização, cromoterapia, limpeza espiritual, atendimento com líderes e entidades (Barô e entidades incorporadas), acupuntura, cirurgia espiritual e floral; ou seja as mais diversas práticas de curas entendidas por eles como espirituais, por meio de atendimentos individuais e terapias variadas.

8. As práticas de curas religiosas e médicas utilizadas pelos usuários com transtornos mentais: caps de esperança

Lic. Vanuza Wagny de Oliveira, vanuzawagny@yahoo.com.br, Universidade Federal de Campina Grande

Dra. Magnólia Gibson Cabral Da Silva, magnoliagib@gmail.com, Universidade Federal de Campina Grande

Depois da Reforma Psiquiátrica e o consequente fechamento dos manicômios, tem  crescido  a  implementação  de  políticas  públicas  de  atendimento  a  portadores  de transtornos mentais no Brasil. O interesse de realizar uma pesquisa numa perspectiva antropológica surgiu-se diante de minhas inquietações e indagações, na minha prática como Psicóloga no CAPS, em Esperança - PB, Brasil. Nos discursos dessas famílias, são recorrentes referências os terreiros de umbanda e/ou a rezadores como tratamento coadjuvante,  até  mesmo  naqueles  usuários  que  apresentam  uma  boa  evolução  no tratamento, uma espécie de carência ou necessidade que leva essas famílias a utilizarem agentes terapêuticos além do oficial, ou seja, não legitimados pelo saber científico. Mas essas  famílias  vivem  em  contexto  imerso  permeado  de  um  conhecimento popular/religioso em relação à doença mental e seus possíveis efeitos positivos , cujo sentido,  a  utilização  são    apropriadas    de  saberes    através  de  uma  possível  lógica simbólica  e  estratégias  culturais    para  enfrentarem  a  doença  mental  que  lhes  são familiares e compreensíveis de acordo com suas representações e concepções. Nossa perspectiva teórica é  fundamentada na Teoria do Campo  Simbólico de Pierre Bourdieu, que explicita que o campo é o local de socialização do habitus, cujo poder simbólico impõe significações que demandam legitimidades, já que nos discursos das  famílias  são  atribuídos  significados  à  doença  mental  oriundos  dos  terreiros  de umbanda  e/ou  rezadores.  Para  a  discussão  de  categorias  como  crença,  curas,  ciência, religião, sofrimento são utilizados autores como Lévi-Strauss, Clifford Geetz, François Laplantine  e  Mary  Douglas.  Temos  como  objetivo  nesta  pesquisa  verificar  como  se articulam os discursos científicos e religiosos nas estratégias das famílias de portadores de transtornos mentais e os significados por elas atribuídos às consultas de terreiros de umbanda e/ou rezadores em Esperança-PB. A metodologia utilizada é a história oral, através de entrevistas semi-estruturadas e diálogos durante as visitas domiciliares.

9. O animal  como  dispositivo  terapêutico:  uma  reflexão  antropológica  acerca  de programas de promoção da saúde humana

Lic. Ivana Teixeira, ivanateixeira@yahoo.com.br, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Este  trabalho  alinha-se  aos  estudos  da  Antropologia  médica  e  da  relação  humano-animais, em contextos de saúde, tendo em  vista a produtividade terapêutica que se estabelece,  a  partir  destas  relações. O foco  etnográfico  centrou-se  em programas e projetos  que  utilizam-se  do  animal  como  dispositivo  terapêutico,  em  diferentes instituições de saúde (como o Hospital de Clínicas e Universidades), assim como no contexto da saúde mental e neurologia. Os locais onde ocorreu a pesquisa de campo estão distribuídos nas cidades de Porto Alegre e Santa Maria (estado do Rio Grande do Sul, Brasil) e, Rio de Janeiro e Niterói (estado do Rio de Janeiro, Brasil), durante este ano de 2012. O material de campo foi composto através de uma etnografia multi-situada (Marcus),  nestes  diferentes  contextos.  Assim,  é  possível considerar que os diferentes focos terapêuticos, com diversas denominações para a prática,  tem  como  ponto  de  convergência  o  reconhecimento  da  relação  humano-animal como transformadora de sensibilidades no sujeito. No entanto, as práticas não se estabelecem sob a mesma 'ontologia' (Descola), pois em cada 'proposta' terapêutica  ou  ambiente  são  pregnantes  compreensões  da  relação  humano-animal com  diferenciadas  nuances.  Para  pensar  a  relação  terapêutica  estabelecida  no ambiente no qual é desenvolvida, recorro às proposições de Ingold segundo o qual, identidade, conhecimento cultural e substância corporal se constroem em relação com a interação de humanos e não-humanos com o ambiente.  

10. Experiência de loucura e umbanda: uma análise antropológica sobre os rituais de limpeza espiritual

Lic. Gustavo Ávila Dias, gutais@hotmail.com, Universidade Federal do Sergipe

O sofrimento mental, representado pelos corpos da loucura, associa-se ao prognóstico das rupturas erigidas no campo das identidades e das relações sociais. A hegemonia do saber biomédico na sociedade moderna cunhou, dentro de uma conjuntura histórica, a institucionalização destes e a naturalização das práticas de internamento psiquiátrico. Outros dados revelam que a experiência de loucura adquire significados e desdobramentos distintos em sujeitos que buscam auxilio terapêutico nas chamadas religiões de aflição. Este trabalho extrai considerações presentes em um relato etnográfico composto acerca dos rituais de limpeza espiritual realizados no sistema religioso brasileiro conhecido como Umbanda. Os dados foram obtidos mediante pesquisas de campo com observação direta e entrevistas realizadas na tenda espiritual Cosme e Damião, cidade de Aracaju, estado de Sergipe, Brasil. Analisamos o discurso emitido pelos sujeitos da relação terapêutica como subsídio para o entendimento das imputações causais e da concepção de loucura dentro deste sistema. Prosseguimos com uma investigação acerca dos aspectos fundamentais que compõem essa relação e de como se constitui a transformação da experiência almejada pelos corpos envolvidos com a loucura neste contexto. Os dados foram analisados com base numa perspectiva dialógica e intersubjetiva inerente às práticas terapêuticas, sustentados no paradigma da corporalidade proposto por Csordas, acrescido da noção de performance teorizada por Richard Schechner. Constatamos que a noção do sagrado, como elemento definidor da cosmologia é o fator determinante dos rituais de limpeza nesta casa de Umbanda. Em função deste dá-se também toda organização, estrutura e funcionamento das práticas terapêuticas. O itinerário é traçado assim pela percepção da loucura e de seus agravantes associados às prescrições rituais. A transformação é o substrato da experiência vivenciada pelo corpo da loucura em meio aos processos que integram o repertório das formas terapêuticas e da relação entre os sujeitos da Umbanda.   

11. Curando através de imagens: os mecanismos terapêuticos de um rito urbano de consumo de ayahuasca

Dr. Tiago Coutinho Cavalcante, tiagocoutinho80@yahoo.com.br, Universidade Federal do Rio de Janeiro

O objetivo deste artigo é analisar os mecanismos terapêuticos resultante do encontro de um pajé kaxinawa e uma psicóloga junguiana que oferecem ritos de cura à moradores de grandes cidades do Brasil. Os encontros são realizados mensalmente para um público de aproximadamente trinta pessoas que se reúnem para consumir as chamadas "medicinas da floresta" (ayahuasca, rapé e kampô). Organizado por um grupo de psicólogos, o rito do Nixi Pae têm como objetivo desempenhar o papel de um ritual "ancestral" de cura do povo huni kuin com a bebida "sagrada" amazônica sob a condução de um jovem aprendiz de pajé, filho de uma importante liderança kaxinawa. A hipótese desta pesquisa é que os ritos do Nixi Pae acionam um modelo de comunicação baseado em mal-entendidos onde uma sensação de mútua compreensão acontece graças ao "efeito sinônimo" (synonymy effect) que coloca, por exemplo, espíritos e seres mitológicos no mesmo patamar que estados psicológicos e sentimentais criando um continum metafórico entre os envolvidos na comunicação.

12. Métodos de profilaxis Wayuu asociados a la tuberculosis. Significados y funciones

Lic. Rosalyn Díaz Quintero Venezuela, diazquin@yahoo.com, Universidad de Zulia

Partiendo de la base de que cada sociedad construye según su sistema de valores y creencias, una interpretación cultural del fenómeno de la enfermedad reflejandoló en la actividad terapéutica destinada para la prevención y curación. La siguiente ponencia describe los métodos de profilaxis wayuu asociados a la tuberculosis; a fin de interpretar su significado y funcion en la sociedad, y comparar con el presente.  El método utilizado fue la etnografía. Para ello se entrevistaron hombres y mujeres de la etnia  residentes de los municipios, Mara y Paez de la guajira venezolana. Los resultados evidencian, que hay  un grado importante de preocupación por la pérdida de vigencia de algunos procedimientos profilacticos realizados antiguamente para tratar enfermedades contagiosas como la tuberculosis.  La sociedad , en su  interés por incorporar al enfermo de nuevo a la esfera colectiva, elimina la medida del aislamiento restandole eficacia a la profilaxis tradicional. Otras personas de esa misma cultura, poseen percepciones diferentes que favorecen el uso de la práctica del entierro. Al morir el enfermo, no se da por eliminado la infección  sino hasta después del cumplimiento de los ritos de desinfección y destrucción de las pertenencias y espacio donde este habia sido recluido. De esta manera, ha sido necesario repensar en la importancia que tiene algunos procedimientos profilacticos asociados a la tuberculosis en los wayuu hoy dia, que tienden por un lado a la valoración pero por otro lado a la desaparición de algunas de estas prácticas, devido a los embates que enfrentan de la medicina alopática moderna,   a menudo discriminatoria del antiguo saber wayuu.

13. La cirugía estética como ritual. La eficacia simbólica en el ámbito de la biomedicina

Lic. Ells Natalia Galeano Gasca, nataliagaleanog@gmail.com, Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social

Esta ponencia presenta un estudio de una investigación de maestría en antropología sobre cirugía estética en jóvenes de Tuxtla Gutierrez, México. Se quiere dar cuenta de cómo la eficacia simbólica trasciende los contextos chamánicos o psicoanalíticos para ser parte central de los recursos que utiliza el cirujano estético en el tratamiento del sufrimiento de un paciente que se encuentra inconforme con su apariencia. La pregunta que deja abierta este estudio es ¿hasta donde es posible que la eficacia simbólica opere en múltiples situaciones dentro de la biomedicina? A partir de un análisis de las representaciones y narrativas de los pacientes y de los cirujanos sobre la belleza se argumenta cómo las cirugías estéticas de la nariz  se orientan a partir de concepciones racistas del cuerpo de pacientes y cirujanos, que se refuerzan a partir de la autoridad del médico en la interacción con el paciente. La eficacia simbólica, pues, entra a operar a partir de dispositivos conceptuales que son creados en beneficio del discurso del cirujano y a partir de los cuales impone su control y poder sobre la apariencia del paciente. El termino "mejoría" es el principal elemento del que se echa mano para agenciar tal propósito. La eficacia simbólica contribuye a que el paciente entienda su cuerpo como deseable luego de la operación, sin necesidad de plegarse rigurosamente a los criterios propios o ajenos sobre la belleza. Cuando no funciona puede generar una nueva existencia para el paciente inconforme con la propia percepción de su apariencia física. El procedimiento estético es entendido como un ritual de paso que se divide en tres momentos: el antes, el pase y el después.

14. "Só por Deus": Cura e tratamento de hipertensão arterial e diabetes entre os indígenas Kaingang da Terra Indígena Xapecó

Lic. Sandra Carolina Portela García, estrellitadeajenjo@gmail.com, Universidade Federal de Santa Catarina

Através das experiências de indígenas Kaingang diagnosticados pelo sistema biomédico como diabéticos e/ou hipertensos ou de ex diabéticos e ex hipertensos nos aprofundamos na intima relação existente entre religião, tradição, saúde e cura nesta comunidade. Estas experiências não só dão conta do papel fundamental que a igreja pentecostal desenvolve no tratamento e cura destas doenças (o qual contrasta dramaticamente com a percepção biomédica da hipertensão e a diabetes como doenças crônicas), como também nos apresentam a complexidade do contexto de intermedicalidade no qual estas pessoas se submergem, assim como das articulações e desencontros que o uso da religião, e mais especificamente das igrejas pentecostais como prática de auto atenção suscita na vida da cotidiana da aldeia: alianças e brigas acirradas com a equipe de saúde; discussões sobre identidade, cultura e medicina tradicional assim como reinterpretações cosmológicas, entre outras, são trazidas a tona e são tecidas nas narrativas sobre a experiência de sofrimento, doença e cura (ou não) que a "diabetes" e "hipertensão arterial" tem trazido à vida estas pessoas.

Miércoles 4 de abril de 2012

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