Departamento de Antropología

S25. Narrativas em movimento: relatos e experiências

Día Horario Sala Sede Dirección
Miércoles 7 09:00-18:40 UR 9 Universidad ARCIS Libertad 53 (ver mapa)
Jueves 8 09:00-13:00 UR 9 Universidad ARCIS Libertad 53 (ver mapa)

 

Día 7 de Nov – miércoles

 

Sesión 1. 09:00 – 13:00 Guilherme José da Silva e Sá. Cientificidades hegemônicas e racionalidades emergentes: explorando novas convergências antropológicas.
Rogério Lopes Azize. Uma “neurociência de rede na varanda”: saberes sobre o cérebro narrados em tom de intimidade.
Flavia Medeiros Santos. “O corpo fala”: a construção de narrativas sobre cadáveres no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro.
Ana Spivak L’Hoste. De la construcción de reactores nucleares a la ciencia fundamental: narrativas identitarias en el área nuclear argentina.
Rafael Antunes Almeida. Avistamentos, Chupa-chupa e Matintaspereiras na Amazônia: Em que crêem os que não crêem?
Carolina Alves d’Almeida. Diálogos com etólogos acerca do dentro e fora do universo científico.
Sesión 2. 14:30 – 18:40 Luciana Hartmann. “Contando parece mentira mas é verdade”: transmissão e elaboração de saberes entre narradores tradicionais
Fernando Fischman. Desde las Sagradas Escrituras a los escenarios callejeros. Relatos acerca de “lo judio” em performance
Miguel Alfredo Carid Naveira. Persuasões narrativas: Notas etnográficas sobre o trinômio tradição-cultura-história
Valéria Macedo. Palavras, corpos e conhecimentos em traduções guarani.
Isidora Carolina Romero Acuña. Pirquineros del Oro de la Sierra Jesús María Atacama (Una etnografía de las entrañas de la tierra)”
Adriana de Oliveira Silva. Narrativas dissonantes: o que dizem a igreja e os devotos sobre a importância do giro da folia do Divino Espírito Santo.
Laure Garrabé. Modalidades do brincar e da improvisação como assinatura performativa do maraca‐de-baque-solto: materializações da noção de crioulização.
Día 8 de Nov - jueves

 

Sesión 3. 09:00-13:00 Adriana Alejandrina Stagnaro. Narrativas científicas y prácticas académicas, profesionales y empresariales en contexto. Interrelaciones, tensiones y configuraciones.
Hugo Loss. Movimentos Narrativos Intraestatais: a normatização do acesso ao patrimônio genético no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético.
Cristian Morales Pérez. Mito y Mercancía. Entre lo afuerino y lo local.
Fernanda Maidana. “Yo tengo la posta!”. Cómo descubrir la verdad de la mentira en los relatos de dirigentes políticos.
Ceres Karam Brum. A invisibilidade indígena no Rio Grande do Sul: circularidades entre mito, diversidade cultural e educação.
Jean Segata, Theophilos Rifiotis e Maria Elisa Máximo. A Mediação da Etnografia: Uma Experiência entre a Comunicação e a Antropologia no campo da Cibercultura.
Francirosy Campos Barbosa Ferreira. Narrativas de pesquisadoras sobre suas trajetórias de pesquisa construídas para um Website.

Proponentes

Dra. Luciana Hartmann (Universidade de Brasília); luhartm@yahoo.com.br

Dr. Guilherme José da Silva e Sá (Universidade de Brasília); guilherme_jose_sa@yahoo.com.br

Dra. Adriana Alejandrina Stagnaro (Universidad de Buenos Aires);

Objetivo geral

O presente simpósio visa receber trabalhos etnográficos que contribuam para um novo olhar sobre a epistemologia da construção de argumentos baseados em narrativas tradicionais ou científicas. Pretende-se abrigar compreensões de eventos e fenômenos sociais e culturais que primem por um entendimento não teleológico dos mesmos. Receberemos trabalhos oriundos de experiências de trabalho de campo de amplo espectro, como por exemplo com narradores urbanos ou rurais, coletivos indígenas, grupos de cientistas etc.

Palavras-chave: Narrativas; etnografia; experiência; simetria; performance.

Justificativa

Se as narrativas pessoais são evidências de experiências vividas por diferentes actantes, pretendemos dar ênfase aqui ao ato de relatar como atividade performática, que não apenas reflete, mas também cria novas realidades, considerando os relatos como fonte qualificada para a construção de argumentos e compreensão de estilos de vida.

Partindo da evidência histórica de que para a Antropologia a centralidade dos debates travados em torno da idéia-conceito "racionalidade / razão" se deu através de confrontos com (alter)nativas periféricas, é desejável aqui pleitear um encontro entre a perspectiva teórico-metodológica oriunda da Antropologia da ciência com o campo de estudos sobre as narrativas folclóricas e tradicionais. Este encontro será possível assumindo a percepção de que tanto as narrativas científicas como as paracientíficas postulam percepções coerentes acerca de realidades que as cercam; e, ao construir seus enunciados de justificação, tanto uma quanto outra aciona formas racionais distintas de evidenciação. Ou seja, cabe a uma Antropologia, que se pretende simétrica, voltar seu olhar para as narrativas tradicionais, levando a sério seus enunciados.

Nossa hipótese é de que existe um potencial convergente entre as narrativas de justificação da ciência e aquelas consideradas paracientíficas. Mais do que reificar a cisão ou buscar enunciações da verdade, nosso interesse está em aprofundar o debate sobre a construção destes enunciados que acionam performaticamente, experiências empíricas de percepção de fatos e fenômenos naturais ou sobrenaturais. A partir desta abordagem pretendemos olhar para a literatura conhecida como "folclórica" ou dos "saberes nativos" pensando entidades e figuras lendárias do universo tradicional latino-americano para além das classificações enciclopédicas, características da abordagem folclorista do início do século XX. E, igualmente, sem recair nas explicações de cunho metafórico, representacionalista, que ao fetichizar as narrativas terminaram por erigir um "edifício simbólico" que torna inacessível ao pesquisador o acesso à vida dos próprios narradores. Neste sentido, propomos reflexões baseadas na análise empírica destas experiências, cuja derivação possa ser uma teoria etnográfica pautada em valores pragmáticos da vida cotidiana. Ou seja, partimos do pressuposto de que ao falar sobre determinado assunto tanto cientistas como narradores tradicionais não pretendem dizer nada além daquilo sobre o que estão dissertando. Sendo assim, caberia ao cientista social adaptar e compor uma teoria etnográfica adequada para compreender os mecanismos de argumentação acionados por um e por outro. Se o que está em jogo não é mais o resultado constituído em um "objeto verdadeiro", em ambos os casos, na ciência e na cultura pop(ular), o estudo dessas diferentes narrativas - e de suas respectivas performances - possibilita a elaboração de novos discursos efetivados na troca concreta entre seus agentes.

1. Contando parece mentira, mas é verdade": transmissão e elaboração de saberes entre narradores tradicionais

Dra. Luciana Hartmann, luhartm@yahoo.com.brUniversidade de Brasilia

Em diversas comunidades rurais situadas na região da fronteira entre Argentina, Brasil e Uruguai, narradores tradicionais, conhecidos como contadores de 'causos' ou 'cuenteros', utilizam a mentira e o esquecimento como estratégias para suas performances. Sua qualificação e legitimidade como narradores estão, em grande parte, relacionadas ao uso que fazem dessas estratégias, mantendo a coerência e respeitando os códigos expressivos para que determinados conhecimentos sejam transmitidos e preservados. Este trabalho pretende debater como as tradições narrativas locais se constroem a partir de diferentes processos de seleção e transformação das experiências vividas e ouvidas, ou seja, como se constituem culturalmente o esquecimento e a mentira. Estas questões serão abordadas a partir de observações oriundas de vários anos de pesquisa de campo realizada na região mencionada. Depois de uma pequena introdução sobre o papel que os narradores tradicionais ocupam não apenas na transmissão expressiva de experiências vividas, mas na elaboração e transformação destas, serão analisados exemplos etnográficos que permitem verificar como, na prática, os fatores acima mencionados representam saberes específicos, que participam da constituição das tradições orais desta tríplice fronteira.

2. Cientificidades hegemônicas e racionalidades emergentes: explorando novas convergências antropológicas

Dr. Guilherme José da Silva e Sá, guilherme_jose_sa@yahoo.com.brUniversidade de Brasilia 

Ao apontarem para a importância de estudarem-se, sob uma perspectiva antropológica, os grandes sistemas centrais - a saber, a Religião, as leis e, em especial, a Ciência - sobre os quais se erige o mundo moderno, autores como Bruno Latour e Steve Woolgar (1979) redimensionaram os interesses da Antropologia contemporânea produzida "at home". No entanto, ao tomarem esses novos nichos de pesquisa como inerentes a uma determinada modernidade, que se poderia dizer ocidental, estes autores o fizeram excluindo campos fundamentais para entendermos a estética, a política e a própria cosmologia moderna. O presente trabalho busca problematizar a indevida "purificação" acometida sobre os estudos antropológicos da Ciência que se detêm apenas em seu interesse pelos sistemas "duros" ou "mainstream". Mais do que uma assimetria da modernidade, a persistência de discursos e narrativas paracientíficas, ou alternativas, que buscam legitimação é uma característica de nossa ontologia científica. Afinal, explorando a imagem do duplo simétrico entre a Ciência moderna e o xamanismo indígena (ambos considerados como sistemas centrais para suas respectivas sociedades), seria plausível falar em algum tipo de "paraxamanismo", tal qual referendamos as nossas paraciencias? Não seria as últimas (as narrativas paracientíficas) uma fonte rica para a compreensão da nossa própria epistemologia? Sendo assim, nesta ocasião, trato de chamar a atenção para a relevância do estudo destas "racionalidades outras" em face ao seu esforço de justificação baseado em testemunhos, relatos e experiências não controladas.

3. Narrativas científicas y prácticas académicas, profesionales y empresariales en contexto. Interrelaciones, tensiones y configuraciones

Dra. Adriana Alejandrina Stagnaro, astagnaro@uolsinectis.com.ar, Universidad de Buenos Aires 

En el presente trabajo se analizan las narrativas de científicos y empresarios provenientes de la ciencia en el campo biotecnológico argentino en base a tres ejes temáticos. El primero consiste en la interpretación crítica del contraste entre las categorías de proceso de producción y proceso de aplicación del conocimiento científico con el contenido e interpretación de las categorías nativas a ellas referidas. Dicha problematización, fuertemente imbuida de debates originados en arenas epistemológicas, sociológicas e históricas convoca a la antropología de la ciencia y la tecnología para tomar parte en sus  discusiones. El segundo eje se organiza alrededor de la idea de ensamblado como mejor opción para poder discernir y mostrar los trazos complejos  y sinuosos con los que está delineado el mapa real de la ciencia y de la innovación concreta y de cómo se configuran en distintos tiempos y espacios de la historia científica contemporánea en la Argentina. Partiendo del concepto de ensamblado tal como lo concibiera Rabinow, lo definimos de una manera que debilita la focalización en aspectos contingentes para introducir en la interpretación configuraciones estructurales, sin dejar de reconocer y coincidir con dicho autor de que la perspectiva antropológica de la ciencia tiene por objetivo reconocer y hacer una diagnosis de los ensamblados científicos y tecnológicos emergentes contemporáneos. En especial por la  sensibilidad demostrada de capturar nuevas entidades, conceptos, técnicas e ideas y  por participar en las transformaciones constantes que obligan a poner en tela de juicio clasificaciones y prácticas. En estrecha correlación con este tipo de  análisis  de los ensamblados o configuraciones expresadas en el campo socio-cognitivo, consideramos que la identificación de los habitus asociados completa el escenario social. Este tercer eje ilumina e interpreta  la complejidad, matices y variaciones reveladas en las narrativas de las prácticas científicas y tecnológicas de la década de 1990 en la Argentina.

4. Desde las Sagradas Escrituras a los escenarios callejeros. Relatos acerca de "lo judío" en performance

Dr. Fernando Fischman, ffischman@sinectis.com.ar, Universidad de Buenos Aires 

Los estudios de los recorridos históricos del discurso y los usos creativos del lenguaje  ocupan un espacio creciente en la producción antropológica. En línea con los desarrollos disciplinarios que investigan los recentramientos textuales como parte de la dinámica sociocultural, esta ponencia examina la contextualización de discursos tradicionales en performances públicas contemporáneas. Específicamente, aborda el análisis de ceremonias, ferias y espectáculos que se llevan a cabo en la Ciudad de Buenos Aires en la actualidad organizados por instituciones de la colectividad judía argentina. Dichas performances, que adquieren formas estéticas afines a otros eventos multitudinarios actuales como recitales o festivales organizados por instancias gubernamentales, se realizan sobre la base de un entramado cultural precedente sustentado en expresiones antiguas, que se han desarrollado y trasmitido a través de múltiples canales a lo largo de la historia. Es así como por medio de un trabajo poético de contextualización se establecen lazos de continuidad con discursos y prácticas precedentes de distinto orden: las Sagradas Escrituras, los modos de lectura prescriptos ritualmente para aquellas, la literatura oral, los saberes tradicionales vernáculos de los diferentes lugares de origen de los antepasados de los miembros de la colectividad, las experiencias personales anteriores de los participantes, entre muchos otros. Además, estas manifestaciones públicas dialogan con discursos vigentes en el contexto de la sociedad nacional. Es decir que se trata de escenificaciones que por medio de elaboraciones estéticas que involucran distintos géneros verbales, musicales y kinésicos comentan tanto sobre discursos preexistentes como actuales. Por los tanto, estas performances plantean y concretan narrativas plurales acerca de "lo judío" y operan en los procesos socioculturales delineando nuevas identidades colectivas.

5. Persuasões narrativas: Notas etnográficas sobre o trinômio tradição-cultura-história

Dr. Miguel Alfredo Carid Naveira, mikelcn@yahoo.com.br, Universidade Federal do Paraná

É muito comum perceber, tanto no senso comum como em muitos textos antropológicos, certa sinonímia, às vezes implícita às vezes explícita, no uso dos termos 'tradição' e 'cultura'. Quando referida aos povos indígenas a 'tradição' viria a ser se não um sinônimo perfeito do conceito de cultura, algo assim como o seu conteúdo. Esse privilégio do componente 'tradicional' ¾ fala-se freqüentemente em povos tradicionais ¾ se opõe a nossa compreensão da história, das sociedades históricas como sociedades em contínuo processo de transformação, direcionadas pela noção de progresso, onde a necessidade histórica dilui silenciosamente o componente perpetuador da tradição. Nessa compreensão costuma-se partir de definições dadas de 'tradição' e 'cultura' e são poucos os trabalhos que abordam as compreensões e práticas nativas para contrastá-las com elas. Partindo principalmente dos meus dados etnográficos sobre os Yaminahua (Pano, Peru), e entendendo que a noção de tradição pode legitimar uma determinada compreensão de cultura, que em grande medida contrasta com a historicidade propriamente indígena, a presente proposta é uma tentativa de pôr em interação nossa narrativa sobre a tradição e o discurso e as práticas indígenas relacionados com essa temática ¾ embora não necessariamente nomeados com essa palavra. Trata-se, em resumo, de compreender as relações entre os conceitos de tradição, história e cultura a partir do contraste entre certo uso habitual desses termos e as expressões indígenas, menos sujeitas a uma teleologia do Grande Divisor.

6. Uma "neurociência de rede na varanda": saberes sobre o cérebro narrados em tom de intimidade

Dr. Rogerio Lopes Azize, rogerioazize@hotmail.com, Universidade Federal Fluminense

Se o destaque dado aos saberes e novas técnicas que lidam com o cérebro confere às neurociências um lugar de ciência dominante na recente virada de século, também às coloca sob algum escrutínio e crítica. A noção de que o órgão e a pessoa seriam uma e a mesma coisa é tão celebrada quanto questionada; o mesmo vale para a difusão de saberes neurocientíficos para um público não especializado, ampliada recentemente no Brasil, criando um mercado que produz e se interessa por saberes sobre o cérebro em um formato acessível a não especialistas. O cérebro - órgão sobre o qual paira uma aura de mistério - passa a ser traduzido em termos palatáveis, acessíveis a um público mais amplo. Este trabalho pretende analisar produções de divulgação científica em diversos formatos e mídias (editorial, televisivo, internet), encarando tais narrativas como elas se apresentam: pontes entre o erudito e o leigo, entre a ciência e a auto-ajuda. A questão é que tais pontes reservam perigos ao narrado e ao narrador: acusa-se a ciência, os cientistas e as narrativas de simplificação, de má-tradução; no limite, ao sair do laboratório em novo formato narrativo, fica insinuado que descobertas virem charlatanismo, fatos científicos virem especulações. Trata-se de pensar estratégias narrativas pelas quais um saber científico supostamente pouco acessível se apresenta como enredado na vida cotidiana, situando em termos diferentes um discurso sobre a natureza humana: não o que ela é, mas o que pode vir a ser. A reflexão leva em conta as narrativas neuro-científicas e algumas de suas críticas.

7. "O corpo fala": a construção de narrativas sobre cadáveres no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro

Mg. Flavia Medeiros Santos, flaviamedeirossantos@yahoo.com.br, Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos

Na sede do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro - IML-RJ, corpos sem vida são diariamente examinados através de técnicas da Medicina-Legal. Essa instituição compõe parte do quadro da Polícia Técnico-Científica do Rio de Janeiro e suas atividades têm como objetivo "revelar" a causa da morte do corpo e a identificação civil do mesmo. Foi no IML-RJ que realizei oito meses de trabalho de campo para a elaboração da minha dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense. Nela apresentei como nesse espaço, um "cadáver" é construído institucionalmente e como os significados outorgados aos corpos sem vida, através da realização de procedimentos de registro, exame e controle, são estabelecidos. Neste trabalho pretendo descrever como médicos legistas constroem as narrativas a cerca de cadáveres no IML-RJ. Focalizarei como o corpo sem vida funciona como ferramenta para a produção de inscrições referentes aos exames necroscópicos. De tal forma, buscarei demonstrar como as narrativas produzidas conformam registros que se referem à biografia da própria ferramenta, o cadáver. Como afirmado por meus interlocutores, "o corpo fala" e é esse falar que permite ao médico legista, aquele que tem a capacidade de ouvir e compreender o corpo, construir as narrativas que afirmam sobre o cadáver e o fim de sua vida.

8.  Narrativas dissonantes: o que dizem a igreja e os devotos sobre a importância do giro da folia do Divino Espírito Santo

Mg. Adriana de Oliveira Silva, adrivita@gmail.com, Universidad de São Pablo

Por quase um ano, cinco homens saem em jornada com a Bandeira e seus instrumentos musicais como emissários do Divino Espírito Santo. Ao percorrer a área rural e urbana de São Luís do Paraitinga e Lagoinha, até Taubaté, de um lado, e Cunha, de outro, eles passam de casa em casa cantando para pedir esmola, cumprir e fazer cumprir promessas, suplicar e oferecer as graças do Divino. Seguir o giro da folia implica perfazer a peregrinação de uma divindade, cuja experiência imanente é andar pelo mundo, rendendo homenagem para então se fazer celebrado. No entanto, referindo-se ao giro da folia, durante a novena do Divino de 2008, dom Carmo João Rhoden afirmou: - É fácil levar a bandeira de lá pra cá. O difícil é ter a verdadeira fé! Terminada a missa, devotos em procissão carregaram suas bandeiras da igreja até o império, a folia fez sua cantoria e o bispo sorriu. - Caprichado, muito caprichado, o bispo comentou sobre a decoração do império, a morada do Divino. Antes, o bispo havia explicado que o ritual diante do altar do Divino no império era apenas uma finalização da missa, pois a celebração ao Espírito Santo já havia ocorrido na igreja. Seguindo a folia do Divino, ouvem-se trechos de narrativas dissonantes sobre a importância do giro da folia na devoção ao Divino Espírito Santo. Por meio de notas etnográficas, nesta comunicação, procuro explicitar que é justamente a devoção encarnada e festiva, e, ao mesmo tempo, tão perseguida e deslegitimada, a expressão da performatividade do próprio Espírito Santo. Seguindo a intuição provocada pelo choro convulso dos foliões do Divino diante da igreja matriz, ao final da festa, no ano seguinte, segui viagem com eles em seu giro de casa em casa. Afinal, como me disse Coruja, alfares da bandeira, diante do choro dos companheiros: - É, só nóis sabe o que é carregar a bandeira por esse mundão de Deus...

9. De la construcción de reactores nucleares a la ciencia fundamental: narrativas identitarias en el área nuclear argentina

Dra. Ana Spivak L'Hoste, anaspivak17@yahoo.com.ar, Universidad Nacional de San Martín

Los más de 60 años de historia de la Comisión Nacional de Energía Atómica, institución responsable de gran parte de las actividades vinculadas a investigación y desarrollo en el área nuclear en Argentina, no recorrieron un camino unívoco. Diversas políticas científicas y tecnológicas, realidades sociopolíticas y económicas nacionales y relaciones internacionales orientaron prioridades, continuidades o rupturas tanto a nivel institucional, interinstitucional como respecto de los conocimientos y/ o de las tecnologías asociadas a los mismos. Desde 2001 realizo trabajo etnográfico e indago temáticas vinculadas a esta institución tecnocientífica compuesta por centros de formación, laboratorios y con participación en los directorios de diversas empresas de área nuclear. Esta nueva propuesta, enmarcada en ese trabajo, tiene como objetivo examinar las narrativas identitarias que agrupan o diferencian a los profesionales, técnicos, estudiantes y responsables de gestión de dicha institución. Narrativas que se configuran en torno de posicionamientos, acuerdos y conflictos respecto de las distintas disciplinas a las cuales adscriben, las actividades que desarrollan, los métodos y objetivos de trabajo y las lecturas relativas a los propósitos e incumbencias de la institución. El punto de partida de este trabajo es que la discusión sobre lo nuclear en Argentina está atravesada por una diversidad de prácticas, sentidos y valores respecto al trabajo en ciencia y tecnología. Esas prácticas, sentidos y valores son el resultado de una dinámica históricamente construida de identificaciones y compromisos que se articulan y performan en narrativas y movilizan tanto conflictos como alianzas al seno de la dinámica institucional. La hipótesis que subyace es que esas narrativas, en tanto constitutivas de la propia organización, contribuyen a discutir, definir y trazar las trayectorias de conocimiento científico y tecnológico y de desarrollo de productos ligados a ese conocimiento.

10. Pirquineros del Oro de la Sierra Jesús María Atacama (Una etnografía de las entrañas de la tierra)

Lic. Isidora Carolina Romero Acuña, isiromero@gmail.com, Universidad de Chile

La investigación busca relevar el conocimiento práctico y vivido de los pirquineros de  la Sierra Jesús María,  Región de Atacama  Chile. Destaca la idea de la perspectiva del actor, como eje central en el logro de los objetivos, incorporándose elementos que configuren un cuerpo narrativo, que permita observar  la naturaleza simbólica del accionar de los pirquineros  y la actividad productiva que da sentido y significado a la cultura pirquinera, generando modelos sostenidos en una estructura socialmente determinada. Ello mediante la articulación de sus propios discursos, conocimiento, reflexividad con las herramientas metodológicas y teóricas (nuestra propia reflexividad) para dar respuesta a los objetivos planteados. Esta  actividad, de antaño se ha mantenido con pocas modificaciones, siendo el límite de la categoría pirquinero  lo artesanal. Tal premisa caracteriza al sujeto, plasmándose en su conducta, la consecución material, organizacional e ideacional. La identidad  es una construcción continuada durante el ciclo vital, a partir de las experiencias vividas por los individuos que dependen tanto de los esquemas heredados, los aprendidos y la interacción medioambiental, (apropiación y explotación del entorno). Se  testimonia la existencia de una  "identidad vivida", no abstracta; objetivada en las prácticas cotidianas en cerros, socavones o piques; generando a partir de ello la construcción de esquemas culturales que se materializan en la biografía y existencia del pirquinero, en donde hay historia común de vida y comunidad, de hablantes y de sentido, ello en la medida que comparten un conjunto de valores culturales generados colectivamente y cuya existencia es  rastreable en los discursos y tipificaciones que ellos hacen de su propia realidad. Hay una intersubjetividad generada entre los entrevistados y en relación a la mina. Esta identidad surge orgullosa como oficio, develando el  carácter histórico de profunda critica al rol del Estado frente a la precariedad e invisivilización, siendo  el  episodio de los "33" la constatación del  ciclo de renacer y perecer del cotidiano laboral negado día a día como yuxtaposición a los esfuerzos estatales y privados, políticos e institucionales de inversión y de investigación a la gran minería trasnacional.

11. Movimentos Narrativos Intraestatais: a normatização do acesso ao patrimônio genético no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético

Lic. Hugo Loss, hugo.loss@gmail.com, Universidade de Brasília

O objetivo deste trabalho é apresentar a discussão que se realiza atualmente no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) sobre o estabelecimento da repartição de benefícios (transferência de tecnologia, participação nos lucros, nos royalties, capacitação) com o Estado brasileiro e, segundo termo nativo, 'populações tradicionais' (indígenas, quilombolas, ribeirinhos). O Cgen é formado por representantes de 19 órgãos da Administração Pública Federal e foi fundado em 2001 pela Medida Provisória 2.186-16 que normatiza o acordo internacional da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). O Cgen é um órgão normativo e deliberativo que tem como função principal regular o acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado feito por empresas que desenvolvem produtos de valor comercial a partir de seu acesso ao patrimônio genético. A função deliberativa do Conselho implica no julgamento dos Contratos de Uso do Patrimônio Genético e Repartição de Benefícios (CURB) em que o Conselho avalia os contratos estabelecidos entre as empresas que fazem o acesso e discriminam a sua intenção de repartição de benefícios com particulares, com populações tradicionais e com o Estado brasileiro. A função normativa do Conselho implica na confecção de minutas de decretos, orientações técnicas, resoluções e deliberações que regulamentam as diretrizes de acesso e repartição de benefícios no Brasil. O presente trabalho visa lançar luzes sobre os movimentos narrativos em torno da normatização do artigo 24º, parágrafo único, da Medida Provisória que estabelece a parte devida à União na repartição de benefícios. Para tanto, foi realizado, por meio de entrevistas com os representantes da Administração Federal e de etnografias das reuniões da plenária do Cgen, um estudo tanto das narrativas que movimentam a Lei, quanto da forma de representação dos interesses das populações tradicionais e das empresas no interior do Conselho, que atuam em torno da regulamentação do referido parágrafo da Medida Provisória.

12. Mito y Mercancía. Entre lo afuerino y lo local

Lic. Cristian Morales Pérez, cristianmoralesp@gmail.com, Universidad Academia de humanismo Cristiano

La presente ponencia trata sobre las distintas narrativas asociadas a mercancías de exportación en contextos etnográficos, haciendo un acento en los encuentros y desencuentros retóricos entre lo afuerino y lo local. En base a un trabajo etnográfico y documental, se exponen y analizan: Caracterizaciones, argumentos, invenciones, relatos extraordinarios etc.- todas estas- narrativas asociadas a dos mercancías de exportación en el contexto de localidades encargadas de la extracción de las mismas, la merluza austral en Puerto Gala y el alga luga en Apiao, ahora bien, se argumenta que estos fenómenos son -parcialmente- extrapolables a casos distintos, que también  se han observado etnográficamente, tales como el tomate en Tome Alto, la palta en La Cruz y el pelillo en Paildad, entre otros. Nos enfocamos en contextos locales, pero sin olvidar las conexiones regionales y globales de cada una de estas localidades. Según proponemos, estas narrativas tienden a edificar  míticamente a estas mercancías, ya sea a través de: a) Un folclor economicista que aprehende y  reviste  a la mercancía, donde los emisores son agentes encargados de implementar el mercado, por lo general, afuerinos y/o b) Una apropiación/identificación histórica cultural de estas mercancías, esto  en base a una recopilación premeditada y construcción creativa de conocimiento local en torno a las mismas, donde los emisores son principalmente la población local. Cabe aclarar que esta división, aunque observable etnográficamente y enunciada por los entrevistados, es solo analítica,  tanto el contenido de estas narrativas como el origen de los sujetos emisores, se confunden y amalgaman en la realidad. Nuestra intención es primero exponer la etnografía por si misma, las narrativas en bruto, dejando en evidencia sus cualidades y posteriormente proponer análisis, no concluyentes, sino que abran el debate sobre las conexiones entre ámbitos de  estudios tales como;  la  economía política, la semiótica y la antropología.

13. A invisibilidade indígena no Rio Grande do Sul: circularidades entre mito, diversidade cultural e educação

Dra. Ceres Karam Brum, cereskb@terra.com.br, Universidade Federal de Santa Maria

A questão da invisibilidade indígena no Rio Grande do Sul se assenta em um conjunto de elementos que perpassam a história dos Guarani, kaingang e Charrua de diferentes formas. Dentre estes destacam-se narrativas produzidas por não índios e que apresentam visões recorrentes e idealizadas que tem como referentes elementos do folclore gaúcho. Exemplo disso, são o conjunto de representações produzidas sobre o índio missioneiro Sepé Tiaraju, desde o final do século XXVIII até o presente. Ao longo desta comunicação desejo refletir sobre a circularidade entre folclore, diversidade cultural e educação através da análise do impacto causado pela presença de estudantes indígenas nas Instituições de Ensino Superior (viabilizada pelas políticas de quotas raciais, desde 2008 na UFSM), num contexto tensionado pelas relações estabelecidas entre a invisibilidade indígena narrada de diferentes formas, a pluralidade de dinâmicas culturais dos grupos citados acima e as memórias individuais de alguns estudantes indígenas envolvidos neste processo.

14. Palavras, corpos e conhecimentos em traduções guarani

Dra. Valéria Macedo, vvaall72@gmail.com, Universidade de São Paulo

Conversas e reflexões sobre o uso de termos da língua portuguesa para traduzir ideias ou personagens do repertório guarani sempre tiveram grande rendimento em meu trabalho etnográfico junto aos Guarani no litoral paulista, em curso desde 2005. Ainda, suas exegeses a respeito de figuras e narrativas do universo cristão - como Deus, Adão, Eva, Jesus, santos e anjos - e do repertório das ciências biológicas e humanas - particularmente a pré-história, a história e a medicina. Em vez de apartar ou purificar tais conhecimentos em cadinhos étnicos ou epistemológicos ("crenças", "culturas", "verdade ou realidade X lenda ou folclore" etc.), nessas conversas predomina o esforço de equacionar tal multiplicidade de experiências e conhecimentos como desdobramentos de diferentes corpos e afetos. Ao compartilhar com o grupo alguns desses relatos e reflexões, espero destacar como tais personagens ganham inteligibilidade ao serem inseridos na cartografia cósmica guarani, não sendo apartados dela como se faria em um enquadramento culturalista. No que diz respeito às ideias e conhecimentos, os Guarani não costumam reconhecer um denominador comum em relação aos brancos - ou a existência de diferentes representações sobre um mesmo fundo de realidade -, uma vez que estão em jogo diferentes corpos, com capacidades singulares de agenciar e ser agenciado, de conhecer e de expressar. Assim, por exemplo, alguns de meus interlocutores guarani não questionam que fumar cachimbo (petyngua) faça mal, como pregam os agentes de saúde, mas tal efeito incide no corpo dos brancos, e não no corpo dos Guarani.

15. Avistamentos, Chupa-chupa e Matintaspereiras na Amazônia: Em que crêem os que não crêem?

Mg.  Rafael Antunes Almeida, almeida.rafaelantunes@gmail.com, Universidade de Brasília

A ilha de Colares/PA foi palco de um dos mais importantes eventos ufológicos brasileiros, conhecido amplamente como Operação Prato. É que no final da década de 70 estranhas luzes sobrevoaram o município, atacando os habitantes e gerando a moção de agentes da aeronáutica com vistas a dar conta daquele anômalo fenômeno. Tempos depois, inúmeros ufólogos se dedicaram ao tema, documentos da operação vazaram e, mais recentemente, teve-se acesso aos arquivos resultantes da empreitada militar através do Ministério da Defesa brasileiro. Alguns habitantes chamavam aquelas luzes de chupa-chupa, uma vez que vinham do céu e lhes sugavam o sangue - não antes de emitirem uma luz paralisante -; os ufólogos, por seu turno, trataram aqueles relatos como um tipo de contato de extraterrestres, que revelava a atuação do governo brasileiro em uma operação de grande monta; os militares, por sua vez, percebiam naquelas luzes um tipo de "perigo soviético na Amazônia", enquanto que boa parte da antropologia que se dignou a falar das narrativas "fantásticas", "extraordinárias", "anômalas" em contextos euro-americanos, ou bem as pensou como uma representação invertida da realidade - e, nesse sentido, as últimas não seriam outra coisa além de epifenômenos e subprodutos -, ou registrou-as a partir da categoria acusatória de "crença". O presente texto resulta de uma etnografia multi-situada junto a alguns dos moradores de Colares atingidos pelo chupa-chupa, dos ufólogos interessados nas relações entre o evento e os problemas da abertura dos documentos que resultaram da operação pelo governo brasileiro, dos documentos produzidos pelos militares da aeronáutica por ocasião de sua incursão na Ilha, associada a uma discussão sobre a maneira segundo a qual o tema da "crença" foi mobilizado em certas tradições antropológicas. Este texto, na qualidade de uma narrativa, se conecta às outras, que igualmente se colocaram em movimento a partir do ataque das luzes. Neste sentido "fala com" e não sobre, na medida em que pretende se "vincular ao evento", recusando a rubrica do termo explicação.

16. Diálogos com etólogos acerca do dentro e fora do universo científico

Mg. Carolina Alves d'Almeida, caroldalmvegan@gmail.com, Universidade Federal Fluminense

Busco, neste trabalho, apresentar diálogos com etólogos sobre suas relações com animais dentro e fora do ambiente científico. Como eles concebem os animais nesses diferentes contextos: no campo, no laboratório, em casa e na rua? Como lidam com o mecanicismo (com a Natureza e demais não-humanos), as relações instrumentais "objetificantes", a oposição sujeito/objeto e o método (rigorosamente) científico das Ciências Naturais objetivas? Nota-se uma "esquizofrenia moral" no fazer científico de etólogos que são zoocêntricos, biocêntricos ou ecocêntricos fora do universo científico, enquanto dentro se submetem, empiricamente, a essas relações binárias, positivistas e cientificistas, que afastam o ser humano da natureza. Neste dilema ético e moral, o mesmo animal possui valor instrumental (é 'usado' como objeto passivo de estudo) dentro da pesquisa e valor intrínseco (inerente) fora dela, e o pesquisador é o sujeito ativo, possuidor da natureza dentro da pesquisa, enquanto fora, é apenas uma dentre inúmeras espécies que fazem parte dela. O que mantém essa distinção dentro/fora e essa inversão de valores atribuídos aos animais nesses diferentes contextos? Os diálogos realizados com etólogos envolvidos com éticas ecológicas demonstraram insatisfação no tocante aos procedimentos e regras para a cristalização da pesquisa e produção do conhecimento científico, uma vez que narrativas, relações intersubjetivas, diálogos interespecíficos, relatos anedóticos, entre outras perspectivas subjetivas e informações paracientíficas, são censurados pelo método científico e descartados no artigo científico. O que tais etólogos fazem com essas experiências e saberes desqualificados pelo discurso Científico? Eles são "resgatados" em livros e publicações não-acadêmicas (no fora), e muitos etólogos parecem contentes por isso. Elas podem ser incorporadas no dentro, na pesquisa científica, de modo que não sejam interceptadas pelo controle do Método Científico? Segundo alguns etólogos, esses livros paracientíficos já estão incorporados no dentro de uma ciência para além da Ciência. Discutirei depoimentos de etólogos envolvidos com éticas ecológicas acerca desses dilemas morais científicos e sobre a reconfiguração da Etologia como ciência 'objetivasubjetiva', multidimensional e sem-fronteiras.

17. Narrativas de pesquisadoras sobre suas trajetórias de pesquisa construídas para um Website

Dra. Francirosy Campos Barbosa Ferreira, francirosy@gmail.com, Universidade de São Paulo

A proposta desta comunicação é apresentar as narrativas de pesquisadoras de Islã sobre a escolha do seu objeto de pesquisa e sobre a sua trajetória pessoal, etc. O modo de narrar sua experiência traz elementos de observação importantes para reflexão antropológica. O resultado desta pesquisa mais ampla foi transformado em um Website http://www.antropologiaeislam.com.br/ no qual se podem acessar essas "performances orais". A dificuldade de falar de si, de torna-se objeto/sujeito da pesquisa trouxe elementos interessantes para serem observados nessas narrativas, o não dito, o não revelado dessas falas, podem ser expostos de outra maneira, que não, a convencional. Quando uma narrativa torna-se um elemento visual, público transforma a narrativa? O conteúdo? Algumas pistas desses elementos serão importantes para reflexão neste paper.

18. "Yo tengo la posta!" Cómo descubrir la verdad de la mentira en los relatos de dirigentes políticos

Mg. Fernanda Maidana, maidanafernanda@gmail.com, Universidade de Brasília

En mi investigación de doctorado, en curso, sobre emergencia y caída de líderes de Salta (Argentina), me deparo con relatos de la prensa gráfica que componen, además de describir, las situaciones y acontecimientos de la dinámica política. Basados en cotilleos y rumores y pese a estar restringidos a las posibilidades que ofrece la disputa en cuestión (en defensa, ataque o indiferencia), los relatos ofrecen variadas y abundantes interpretaciones del mismo suceso.  No obstante, para las personas de ese universo, es posible tamizar ese profuso esfuerzo hermenéutico -y hasta desprender las intenciones de engaño o sugerencias maniqueístas de muchas descripciones- a fin de  identificar "la interpretación más ajustada a los hechos", cuando logramos sumar pruebas "consistentes" desde una perspectiva que abrace la realpolitik. En última instancia, es la mejor estimación del cálculo político que estaría detrás de la estrategia política del implicado y de sus intereses lo que posibilitaría su ponderación como relato veraz.  Y esta es posible sumando la mayor cantidad de pruebas  en gestos políticos. Expresiones verbales (declaraciones, dichos, etc.) o físicas (presencias, acompañamientos, etc.) que realizaron los implicados y que poseen una proyección simbólica en ese universo, registradas por la observación particular o de la prensa y solidarios a tal cálculo y estrategia. No obstante, la característica más importante es que la validación de lo afirmado no interesa.  Y  vemos entonces que, estos relatos, realizados por militantes, periodistas, dirigentes y líderes políticos, así como construyen escándalos o develan "los verdaderos motivos, intereses y estrategias" de los dirigentes, crean magistrales acontecimientos "reales" de la historia política.

19. A Mediação da Etnografia: Uma Experiência entre a Comunicação e a Antropologia no campo da Cibercultura

Dr. Jean Segata, jeansegata@gmail.com, Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí

Dr. Theophilos Rifiotis, rifiotis@uol.com.br, Universidade Federal de Santa Catarina

Dra. Maria Elisa Máximo, elisamaximo@gmail.com, Bom Jesus/IELUSC

Na última década, os estudos em Cibercultura ganharam evidência no Brasil reunindo em torno de si pesquisadores de diferentes disciplinas, como a Sociologia, a Arte, a Comunicação, a Filosofia e a Antropologia. Temas como a Comunicação Mediada por Computador, o pós-humano, as redes sociotécnicas ou a liberdade e a vigilância no ciberespaço são recorrentes e controversos e têm mobilizado debates intensos em eventos e publicações desse campo. O GrupCiber - Grupo de Pesquisas em Ciberantropologia do PPGAS/UFSC, tem contribuído ativamente para essas discussões nos últimos quinze anos, especialmente buscando romper com as tradições ensaísticas sobre as quais parte dessa produção se desenvolveu, oferecendo a etnografia como uma alternativa de produção de conhecimento. Trabalhando de modo mais próximo à Comunicação, o que resulta dessa experiência aqui problematizada,  se desdobra em três momentos críticos: o primeiro deles ficou marcado por um duplo esforço de convencimento - convencer as demais disciplinas envolvidas nesse campo à possibilidade de trabalho de campo que incluísse ambientes on-line seguindo as práticas das pessoas na sua relação com as tecnologias. Por outro lado, o esforço incluía convencer a própria antropologia da possibilidade de etnografia nesses ambientes, de início diminuído em sua validade, à custa de acusações de que situações não presenciais não gerariam dados confiáveis no trabalho de campo. O segundo momento ficou marcado por um hiato entre as expectativas da Comunicação e as pretensões antropológicas no campo da Cibercultura: enquanto o GrupCiber via nesse campo um lugar para pensar a própria condição da etnografia, a Comunicação esperava dela um modelo metodológico para a pesquisa, difundido com sucesso desde Malinowski. Por fim, como último desdobramento, a partir da introdução das críticas da Teoria Ator-Rede, quando a Antropologia começa a desfazer a ideia de Cibercultura e da própria noção de rede sociotécnica amplamente utilizada no campo, parte da Comunicação se investe no desenvolvimento de um programa de pesquisa a partir de um conjunto de ferramentas por eles denominado de netnografia. Enfim, o presente trabalho tem por objetivo narrar essas controvérsias no campo da Cibercultura utilizando-se como eixo central a etnografia e os modos como ela sofreu e provocou transformações nesses debates. Seguindo a ideia de mediação apresentada por Bruno Latour, que foca na tradução dos elementos imbricados/associados, o movimento a ser descrito é o das mútuas transformações nos discursos e entendimentos de antropólogos e comunicólogos em torno de um objeto comum, passando desde a sua transformação, até o modo como ele também fez repensar os próprios investimentos teórico-metodológicos dessas disciplinas.

20. Modalidades do brincar e da improvisação como assinatura performativa do maraca-­‐de-­‐baque-­‐solto: materializações da noção de crioulização

Dra. Laure Garrabé, laure.garrabe@gmail.com, Universidade Federal de Santa Maria

O maracatu-de-baque-solto é uma forma de expressão da cultura popular de Pernambuco, nascida no inicio do século 20 na área rural da Zona da Mata Norte, inventada e mantida até hoje por trabalhadores da cana de açúcar. É uma forma ao mesmo tempo musical, coreográfica e dramatúrgica - localmente chamada de brincadeira, que pode ser interpretada como um gênero performativo - podendo ser vista ao clímax de sua espetacularização no carnaval do Recife. Apresenta dois elementos que lhe são exclusivos, o seu padrão rítmico, o "baque-solto", e sua figura metonímica, o "caboclo-de-lança", ambos caracterizados pelos seu caráter "hibrido" ou sua diversidade intrínseca, hoje muito valorizados, mas que foram tanto pelos folcloristas como pela instituição carnavalesca, estigmatizados e discriminados desde sua entrada no carnaval urbano. A partir de suas especificidades e de vários itens caracterizando a expressão de suas dinâmicas, sociais e estéticas, proponho observar a práxis no baque-solto como possível materialização da noção de crioulização enquanto princípio expressivo e performativo, tal qual proposta pelo poeta martiniquês Édouard Glissant (1990, 1996) e descrita por um outro poeta e ensaísta cubano, Antonio Benítez-Rojo (1998, 2006), apoiando-se num aparelho teórico similar mas contudo não idêntico. Apresentarei uma etnografia do maracatu-de-baque-solto nas suas duas modalidades - a modalidade carnaval, e a modalidade "sambadas" - analisando suas dinâmicas sociais e estéticas a partir de suas respectivas formas de improvisação (solo e em desafio) e modos de brincar, aparentemente opostos mas nitidamente complementares. Finalmente tentarei mostrar como, a partir das materializações do "divers" (diverso) e do ritmo (Meschonnic, 2009, Michon, 2005, 2007), ambos apreendidos ao prisma de suas logicas performativas e sociais, essas dinâmicas em ato - o brincar como forma de expressão e projeção da ação, e as diferentes sequências da ação improvisada - instituem a singularidade do -baque-solto e parecem realizar diversas idealizações antropológicas e estéticas da noção de crioulização.

Miércoles 14 de marzo de 2012